Motoristas apedrejam guardas e prédio da SPTrans

Um grupo de cem pessoas ligadas àForça Sindical e ao Sindicato dos Motoristas de São Pauloapedrejou dez guardas-civis que tentavam impedir a invasão doprédio da SPTrans, na Rua 13 de Maio, no Bexiga, Centro de SãoPaulo. O edifício teve 22 vidraças atingidas por pedras,pedaços de pau e até marmitas lançadas pelo grupo. "Elestentaram invadir e, quando viram que não conseguiriam, começarama jogar pedras", disse o inspetor Estevão de Lima, chefe daInspetoria de Apoio ao Transporte Público da Guarda Civil. Limafoi atingido por pedras e tinha ferimentos na mão e pernadireitas.O presidente do sindicato, Edivaldo Santiago, acusou osguardas de despreparo e de distribuírem golpes de cassetete semserem provocados. Disse que não viu de onde vieram as pedras,mas admitiu que "quando se é agredido, é preciso reagir".Ossindicalistas protestavam contra o plano de transporte daPrefeitura. Segundo Santiago, haverá redução da frota da cidadeem 2.500 ônibus e desemprego.Na sexta-feira da semana passada, outro protesto impediua apresentação do plano no Auditório Elis Regina, no Anhembi.Nova audiência havia sido marcada para a próxima segunda-feira, na Câmara,mas com o protesto desta sexta-feira, ela foi cancelada.O secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, atribui os dois atos a empresários do setor que teriam oobjetivo de impedir a licitação que abrirá o mercado na capital- as novas concessões serão de 25 anos para empresas de ônibus e de7 anos para lotações. Santiago negou. "Mas, se for paramelhorar nossa situação, vamos nos aliar com qualquer empresa oucidadão. Eu defendo empresa, não os empresários."Para Zarattini, os trabalhadores estão sendorepresentados por "um sindicato irresponsável e radical, quenão se preocupa com os passageiros".A prefeita Marta Suplicy (PT) não acusou diretamente osempresários, mas disse estranhar a reação violenta na audiênciade sexta-feira. "Não dá para dizer quem é quem, mas quem saiganhando com a não-licitação são justamente os empresários, quevão seguir com os ônibus velhos nas ruas", disse Marta."Zarattini tem sido afrontado por atos de vândalos, organizadosaparentemente pelo sindicato dos motoristas. Estamos nosconfrontando com uma gangue."Ela afirmou que "o sindicato fezgreve e depois aceitou a mesma proposta oferecida antes daparalisação."Zarattini descartou a hipótese de demissões no setor."Novas vagas serão criadas ao atrairmos mais passageiros com umsistema eficiente e barato", disse. Entre as propostas, estão areorganização do sistema com linhas estruturais e locais, detarifa menor.O plano prevê investimentos pelas empresas em corredoresde ônibus e tecnologias menos poluentes, além da modernizaçãodos veículos. Com as catracas eletrônicas, Zarattini garantiuque cobradores seriam deslocados para outras funções.Ele disse que os protestos podem estar ocorrendo paratumultuar a gestão do PT. Para ele, os interessados seriam oex-presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, vice deCiro Gomes, e o vereador Gilberto Natalini (PSDB).

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