Motoristas de ônibus ameaçam parar dia 8 em SP

Uma nova paralisação no sistema de transporte público ameaça prejudicar milhões de paulistanos. O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo marcou uma greve para o dia 8, terça-feira, caso as reivindicações da categoria não sejam atendidas pelo sindicato patronal, o Transurb, que alega estar sem recursos para satisfazer as exigências. Os motoristas querem a diminuição da jornada de trabalho de 7 horas e 10 minutos para 6 horas e 40 minutos, sem redução de salário, 5% de aumento real e 5% de aumento por produtividade elevação do valor do tíquete-refeição de R$ 6,50 para R$ 8,00, além da majoração da cesta básica. "Esse é o limite que nós tivemos na negociação. A partir daqui nós vamos começar a fazer mobilização", advertiu o presidente do sindicato, Edivaldo Santiago da Silva. "Como até agora o poder público não sinalizou com absolutamente nada, é evidente que nós temos de fazer alguma coisa nesse sentido." Segundo o plano de ação do sindicato, 70% da frota de ônibus da cidade ficará com o freio de mão puxado entre as 9 e as 16 horas do dia 8. Os veículos voltarão a rodar no horário de pico e ficarão novamente parados entre 21 horas e meia-noite. O movimento poderá ser novamente deflagrado no dia 10, dependendo da evolução das negociações. A greve representará uma nova queda de braço entre o sindicato, a Prefeitura e os empresários e está sendo organizada pela Força Sindical, central que faz oposição política à prefeita Marta Suplicy (PT). A última paralisação promovida pela categoria, no dia 6, deixou 1,2 milhão de pessoas sem ônibus na cidade. A mobilização começará amanhã (01) em uma festa de comemoração pelo Dia do Trabalho organizada pela Força, em Santana, na zona norte, onde serão sorteados dez carros zero-quilômetro e cinco apartamentos novos, pagos pela central e pelo sindicato. A partir de quarta-feira, segundo Silva, os motoristas e cobradores já começarão a ser orientados nas garagens. "Nos dias 2, 3, 4 nós vamos trabalhar a categoria. Dia 5 é o pagamento e dia 7 é o limite", advertiu Edivaldo. Sem recursos - O presidente do Transurb, Sérgio Pavani, disse que os empresários não têm dinheiro em caixa. O secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, ressaltou que o problema e suas possíveis soluções começarão a ser analisados a partir de sexta-feira, quando será realizado o Fórum de Debates sobre Custos do Trânsito e do Transporte da Cidade, promovido pela Prefeitura. Após esse debate, será decidido se haverá aumento de passagem, subsídio para as empresas ou outra forma de injetar dinheiro no sistema. No entanto, na semana passada, o secretário municipal das Finanças, João Sayad, havia anunciado que, a partir deste mês, o subsídio à tarifa de ônibus em São Paulo será eliminado. Segundo Sayad, faltam recursos para a manutenção de pagamentos a empresas do setor. Se essa decisão prevalecer, restará à Prefeitura reajustar a tarifa de ônibus, atualmente de R$ 1,15. Estudos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) concluíram que o atual modelo do sistema de transporte coletivo em São Paulo é deficitário.

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