Marcos D'Paula/AE
Marcos D'Paula/AE

Motoristas de vans planejam semana de protestos no Rio

Empresas, sindicatos e passageiros reclamam do novo sistema de transporte que reduziu número de vans

Agência Brasil,

14 de setembro de 2009 | 15h19

Dezenas de motoristas de van fizeram nesta segunda-feira, 14, um protesto em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) contra as regras do novo sistema de transporte intermunicipal na Grande Rio. A Federação das Cooperativas de Vans Legalizadas do Estado informou que durante toda a semana devem ocorrer várias manifestações em diferentes pontos do Rio.

 

Desde a última quarta-feira, apenas 462 vans das mais de 1,2 mil que faziam o trajeto entre o Rio e municípios vizinhos estão autorizadas a circular. Com isso, vários passageiros foram afetados, já que o novo sistema os meios de transportes sobressalentes ficaram lotados e demoram mais tempo.

 

Por causa da insatisfação de usuários e de motoristas, o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro) irá rever as regras e colocou, nesta manhã, seis coletivos para transportar gratuitamente passageiros de vans intermunicipais do terminal Leopoldina até pontos estratégicos do centro, como a Central do Brasil.

 

Os usuários reclamam da superlotação nas vans. O motorista particular Otoniel Nunes Leal mora em Duque de Caxias e tem que acordar duas horas mais cedo para chegar ao trabalho no horário. "Tínhamos mais de 60 vans trabalhando perto de onde eu moro, agora só há seis. O resultado é que temos que viajar de pé durante mais de uma hora."

 

A empregada doméstica Juliana Sousa tem demorado o dobro do tempo para chegar ao trabalho. "Está complicado, a patroa já está reclamando. Eu que moro longe, em Magé, estou demorando mais de três horas para chegar em Laranjeiras, na zona sul."

 

As novas vans estão proibidas de parar no meio do caminho e de entrar no centro do Rio. Outro motivo de reclamação é a precária estrutura do terminal situado na Leopoldina, que fica distante dos pontos mais procurados do centro. O permissionário José Carlos Herzogue disse que o movimento está muito fraco, porque o local afasta os passageiros. "Isso aqui é um perigo à noite, fica cheio de pivete e não tem policiamento. Fora que falta banheiro para os usuários e para os próprios motoristas. Quem vai querer vir para cá?"

 

O motorista Carlos Amário da Silva, de 67 anos, é um dos 662 que perderam a licença para trabalhar. Ele disse que há oito dias não tem como alimentar a família. "Sou o provedor da casa e, com minha aposentadoria de menos de R$ 500, não estou conseguindo nem comprar comida. Dirijo van há 12 anos e nunca pensei que fosse passar por essa humilhação a esta altura da vida."

 

Após um acordo com o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), o Detro informou que criou uma comissão para estabelecer um modelo de integração entre as vans legalizadas e os ônibus, com preço único, a ser implementado em uma semana.

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