Motoristas e cobradores querem plano de demissões voluntárias

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo vai propor, na primeira rodada de negociações com a SPTrans e com o sindicato dos donos de empresas (Transurb) a criação de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) de emergência em todo o sistema de transporte urbano da capital, para abrir vagas de trabalho que permitam reabsorver parte dos cerca de 10.800 trabalhadores que ficaram desempregados depois que a prefeitura descredenciou nove empresas que operavam na cidade. A reunião ainda não tem data, mas o sindicato trabalha para sua realização já amanhã. O sindicato estima que existem pouco mais de quatro mil trabalhadores aposentados empregados, mas já aposentados, em todo o sistema de transporte da capital. "Estes, com certeza, entram imediatamente no PDV. Além deles, muitos trabalhadores das nove empresas descredenciadas também vão aderir ao plano para garantir o recebimento de direitos trabalhistas", assegura Francisco Xavier da Silva Filho, da Diretoria Executiva do Sindicato.De acordo com o sindicato, os gastos com o PDV teriam que ser bancados pela SPTrans. "Com o descredenciamento das nove empresas, a prefeitura suspendeu o repasse de R$ 46 milhões para o sistema de transporte. Este dinheiro já está disponível nos cofres da SPTrans e parte dele pode ser utilizado perfeitamente para custear o PDV", defende Xavier. O destino dos 10.800 funcionários das empresas descredenciadas foi o principal motivo alegado pelo sindicato para justificar a greve que paralisou o transporte de ônibus da capital durante dois dias. Ontem, depois de julgar a greve abusiva e determinar a volta imediata dos grevistas ao trabalho, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) atribuiu à SPTrans a responsabilidade de pagar, pelos próximos quinze dias, os salários dos 10.800 funcionários das nove empresas.O prazo de 15 dias foi estabelecido pelo tribunal para que as partes envolvidas negociem uma saída para os trabalhadores. As empresas descredenciadas estão sucateadas, algumas delas são "fantasmas", e não têm condições de arcar com o passivo trabalhista dos funcionários. O sindicato quer marcar para amanhã (10) a primeira rodada de negociações com a SPTrans e a Transurb. "Queremos que a SPTrans assuma oficialmente uma proposta de garantia de emprego para parte dos funcionários desempregados", afirmou Xavier. "Antes do início da greve, a prefeita (Marta Suplicy) falou que três mil funcionários seriam reabsorvidos; ontem, o secretário dos Transportes (Jilmar Tatto) falou em 5.500. Precisamos de um número exato."

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