Motoristas e cobradores reiniciam greve em BH

Motoristas e cobradores de ônibus de Belo Horizonte voltaram a entrar em greve hoje à tarde, na região metropolitana, e ameaçaram parar toda a cidade nesta sexta-feira, véspera de Carnaval. Até por volta de 17h, dezenas de ônibus foram estacionados nas ruas e abandonados pelos motoristas em bairros das regiões Norte, Leste e Oeste, tumultuando o trânsito no horário de maior pico. Cinco coletivos foram apedrejados.Os cerca de 35 mil rodoviários reivindicam, desde janeiro, 108% de aumento salarial e manutenção de benefícios conquistados pela categoria, como plano de saúde, tiquetes-alimentação e carga reduzida de trabalho. Os donos das 49 empresas de ônibus da cidade recusam-se a dar qualquer reajuste, alegando perdas de 20% no faturamento, nos últimos meses, em razão do crescimento do transporte clandestino (peruas e vans), e ainda propõem retirar os benefícios. No início de fevereiro, os rodoviários fizeram greve de três dias, com 100% de adesão, o que levou o Ministério Público do Trabalho a suspeitar de conivência dos patrões. Os empresários estariam promovendo um locaute para forçar o prefeito Célio de Castro (sem partido) a reajustar as tarifas de ônibus e a limitar a ação dos perueiros.A categoria retomou a greve disposta a desrespeitar decisão da Justiça do Trabalho, segundo a qual pelo menos 50% da frota tem que ser mantida em funcionamento, sob pena de multas para o Sindicato dos Rodoviarios. "Não recebemos os benefícios este mês, o plano de saúde foi cortado, a jornada de trabalho aumentou e os patrões não pagaram o adiantamento de salário", disse o sindicalista Hamilton Dias. "Não tivemos outra alternativa a não ser parar de novo", completou, após assembléia dos rodoviários que confirmou a greve.

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