Motoristas prometem parar São Paulo nesta terça-feira

A greve das empresas de ônibus Expresso Paulistano e Eletrobus, nesta segunda-feira, provocou o caos no trânsito da região central da cidade. Cerca de 400 ônibus ficaram parados, 52 deles com pneus furados, nas imediações da Câmara Municipal e da Prefeitura.A situação ficou ainda mais complicada com o fechamento, às 16h10, do Terminal Parque Dom Pedro. Quatro pessoas foram detidas e liberadas. Nesta terça-feira pode haver paralisação em toda a cidade. Até as 20 horas desta segunda-feira, a categoria não tinha se reunido para definir o protesto.As empresas, que atendem cerca de 220 mil passageiros na zona leste e Centro, não pagaram, de acordo com o sindicato dos condutores, o vale do dia 20. Além dessas, outras companhias, segundo a entidade, não estão depositando fundo de garantia e previdência.O sindicato pede intervenção da São Paulo Transporte (SPTrans) nas empresas e promete parar nesta terça, do início do dia até as 10 horas, todo o sistema da cidade.O novo secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, anunciou que se reunirá às 9 horas com os sindicalistas. "A possibilidade de greve é de 100%, se não formos atendidos", ameaçou o presidente do sindicato, Edivaldo Santiago.Às 19 horas desta segunda-feira, os sindicalistas suspenderam o protesto em frente ao terminal, o que permitiu sua reabertura.Às 7 horas da manhã, os ônibus das duas empresas em greve já começavam a chegar à Câmara. Por volta das 11 horas, eram cerca de 240 ônibus e 450 motoristas e cobradores que paralisavam duas faixas do Viaduto Jacareí, todo o Viaduto 9 de Julho, o Viaduto Maria Paula, parte da Consolação, e da avenidas São Luís e São João. "Estamos no limite. Meu aluguel venceu e não tenho como pagar", reclamou o motorista da Paulistano Manoel Gonçalves.Tanto a Câmara como a Prefeitura foram cercadas pelos grevistas. Em frente da sede da administração municipal, o clima ficou tenso. Por pouco não houve confronto entre motoristas e policiais. "Eles (os grevistas) quebraram um acordo de não danificar os ônibus", justificou o tenente Wilson Galvão Júnior, que determinou a detenção dos militantes.O Viaduto Diário Popular foi fechado pelos grevistas. Um total de 80 PMs - que sofreram todo tipo de provocação dos motoristas - protegia a área. Na Câmara, pela manhã, o clima também esteve tenso. A notícia da prisão de um militante, não confirmada pela polícia, fez os grevistas obrigarem colegas a parar os ônibus na Rua da Consolação, retirando os passageiros.Estacionados no meio da rua, os ônibus impediam a passagem pelo cruzamento da Avenida São Luís com a Rua Xavier de Toledo. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 85 quilômetros de congestionamento pela manhã."Eles mandaram e eu não posso fazer nada. Tenho de obedecer", disse, assustado, o cobrador de um ônibus da Viação Gato Preto.Passageiros que tentaram dar entrevistas foram intimidados pelos manifestantes. A passageira Ivanilda Arcanjo dos Santos reclamou. "Nós não temos nada a ver com a briga deles e das empresas", disse.

Agencia Estado,

25 de novembro de 2002 | 23h21

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