Motoristas protestam contra falta de segurança em SP

Um tiro na cabeça deixou gravemente ferido o cobrador Paulo José da Silva, de 27 anos, durante tentativa de assalto, na noite deste domingo, a um ônibus da Auto Viação Taboão, na Avenida Oratório, Parque São Lucas, zona leste de São Paulo.A violência foi praticada por um único ladrão, que fugiu. Segundo a polícia, o bandido teria ficado nervoso porque o cobrador, que fazia a sua primeira viagem do dia, estava sem dinheiro.Em protesto contra a falta de segurança, os motoristas e cobradores da empresa paralisaram o trabalho na madrugada desta segunda-feira, até as 6 horas. Na linha 4222 (Parque Santa Madalena/Praça João Mendes), na qual Silva trabalha, os ônibus da empresa não circularam durante toda esta segunda e só devem voltar a operar nesta terça.A paralisação na madrugada, segundo a Auto Viação Taboão, prejudicou 20 mil passageiros. Os 346 ônibus da empresa não saíram da garagem da 1 às 6 horas. Pelos cálculos do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, de 40 mil a 50 mil passageiros ficaram sem ônibus.A São Paulo Transporte (SPTrans) acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), usando 101 veículos para suprir a falta dos 193 carros da Viação Taboão que normalmente circulam de madrugada. Houve atrasos. A linha 4222, que tem normalmente 24 ônibus, funcionou com 10 carros.A assessoria de imprensa do Hospital Santa Cecília, onde Silva está internado, informou que a bala entrou na testa da vítima, do lado direito, e ele corre risco de vida. Há versões de que o projétil seria de calibre 22 ou 38. Segundo a Viação Taboão, ele é casado e tem dois filhos.O gerente operacional da Taboão, José Clarindo de Aquino, afirmou que as 22 linhas operadas pela empresa sofrem entre 30 e 40 assaltos por mês - há registros de até quatro em um único dia. Neste ano, oito vezes a empresa teve mais de um assalto por dia.A linha Parque Bristol/Praça da República, também da Taboão, é outro alvo de ladrões. O diretor do sindicato, Jorge Luís de Jesus, afirmou que, se os assaltos na linha continuarem, os funcionários vão fazer nova paralisação em 4 de novembro. Motoristas e cobradores devem pedir nesta terça à Polícia Militar que se encarregue da segurança na região. Eles dizem que trabalham com muito medo.

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