Motoristas querem bloquear principais ruas de SP

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), deve enfrentar terça-feira a maior paralisação no sistema de transporte, desde que assumiu o governo. Motoristas e cobradores prometem parar toda a frota de ônibus e bloquear o trânsito nas principais avenidas da cidade."A meta é atingir 100% de toda a operação", disse o diretor do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Antonio Ferreira Mendes. Segundo ele, o principal objetivo do movimento é o combate ao transporte clandestino. "Hoje há 4.042 peruas regularizadas, mas há 25 mil circulando", justificou.Além disso, a paralisação será o primeiro passo para a campanha salarial da categoria, cuja data-base será em maio. De acordo com o sindicato, a defasagem salarial acumulada nos últimos anos dos 44 mil motoristas e cobradores chega a 41%. Eles também querem que o vale-refeição seja reajustado de R$ 6,50 para R$ 8,00.Segundo Mendes, a mobilização começará no início da madrugada. Os ônibus deixarão as garagens e seguirão em comboio para os principais corredores viários, como as avenidas Celso Garcia, 23 de Maio e Marginais do Tietê e Pinheiros. O objetivo é complicar ainda mais o trânsito na capital no horário de pico.Às 9 horas, está previsto um protesto em frente ao Palácio das Indústrias, sede da Prefeitura de São Paulo. Eles querem chamar a atenção da prefeita para os problemas enfrentados pela categoria. A greve só deve ser encerrada por volta das 12 horas, quando os ônibus começarão a circular normalmente. "Isso se não ocorrer nenhum incidente", salientou Mendes. "Se acontecer alguma coisa, como repressão da polícia, a greve só irá terminar às 18 horas."Tarifa - Mendes afirmou que o sindicato é contra o reajuste da tarifa, conforme cogitou Marta, em Paris, na semana passada. Ele lembrou que a Prefeitura tem repassado subsídios para as empresas, o que permite a operação normal do serviço.O secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, afirmou ontem que, por enquanto, o aumento está descartado. "Só iremos ter uma posição sobre isso quando concluirmos o estudo sobre o custo real por passageiro na cidade", disse Zarattini. "A partir daí é que poderemos discutir se vai haver aumento de tarifa ou do subsídio", completou. O estudo deve estar concluído até o fim do mês.O secretário acredita que a greve programada para depois de amanhã tenha objetivos políticos. "Não há porque eles reclamarem de atraso nos salários ou dos perueiros", afirmou. Segundo ele, a Prefeitura repassou R$ 15 mi em subsídios na sexta-feira, o que garante o pagamento dos salários, programado para amanhã. Zarattini classificou a idéia de paralisar o trânsito como "terrorista" e disse que a Prefeitura irá tomar todas as medidas possíveis para evitar o caos na cidade. Ao concluir a visita oficial em Paris, hoje, Marta não quis se pronunciar sobre a ameaça de greve. "Só me pronunciarei sobre o assunto depois que ouvir o Secretário dos Transportes", resumiu.

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