Mototaxistas são presos após oferecem propina a policiais do Vidigal

Policiais receberam a proposta de propina para que a patrulha não fiscalizasse alguns pontos do morro

Antonio Pita - Agência Estado,

02 Agosto 2012 | 19h27

RIO DE JANEIRO - Uma pizza de calabresa foi a arma usada por traficantes do morro do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro, para tentar subornar agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade. Na semana passada, a pizza foi entregue na sede da unidade com um recado pedindo aos policiais que ligassem para um número de celular. No telefonema, os policiais receberam a proposta de propina para que a patrulha não fiscalizasse alguns pontos do morro.

Na última quarta-feira, dois suspeitos de ligação com o tráfico no morro foram presos em flagrante após tentativa de suborno dos policiais. Everton Alves Ribeiro da Silva, de 29 anos, e Djalma Roberto da Costa Junior, de 20, foram indiciados pelos crimes de corrupção ativa e associação ao tráfico. Eles eram réus primários e trabalhavam como mototaxistas no Vidigal.

Os suspeitos ofereceram R$ 600 para a patrulha de três policiais, com o objetivo de afastá-los de determinadas áreas da comunidade Chácara do Céu, em São Conrado. Na ligação, os traficantes explicam como funcionaria o esquema. "Como é que a gente pode acertar a venda? Dá pra tirar a viatura que fica ali embaixo?", diz um dos suspeitos ao telefone nas gravações divulgadas pela PM.

Segundo o capitão Fábio Pereira, que coordena a UPP, os agentes foram orientados a negociar com os suspeitos para efetuar o flagrante. As ligações foram gravadas e os policiais combinaram para receber o suborno no Parque Ecológico Dois Irmãos, próximo à comunidade, onde os dois foram presos. No encontro, os agentes ainda tentaram extrair informações sobre os mandantes da ação. "Mas em momento algum eles falaram sobre os mandantes ou forneceram informações precisas para nos ajudar", afirmou Pereira.

As investigações duraram dez dias e as gravações foram encaminhadas para a 14ª DP, em Ipanema, onde o caso foi registrado. Os presos foram encaminhados para casas de custódia e aguardam a conclusão do inquérito.

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