Moulin Rouge desfila cancã recatado pela Grande Rio

Bailarinas do grupo francês não passarão pela Sapucaí com os seios à mostra, como no espetáculo

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2009 | 13h32

As bailarinas do Moulin Rouge, que desfilam no domingo pela Grande Rio, vão frustrar as expectativas de foliões mais afoitos. Elas não vão se apresentar na passarela do samba como é o costume no tradicional cabaré francês - com os seios à mostra. Na Marquês de Sapucaí, as dançarinas virão mais recatadas. Caberá às brasileiras ficar de topless durante o cancã.    Veja também: Galeria - Fotos com a preparação no Anhembi Galeria - Fotos com a preparação na Sapucaí    TV Estadão - Escolas se preparam para entrar na avenida   Blog: dicas para quem quer curtir e para quem quer fugir da folia   Nesta sexta-feira, 20, os 35 bailarinos e bailarinas do grupo fizeram um passeio pelas areias de Copacabana, na zona sul do Rio. "O espetáculo do Moulin Rouge é muito sensual. Mas eles mesmo entenderam que a sensualidade brasileira está acima da sensualidade francesa. As meninas do Moulin Rouge não exibirão os seios. Foi uma decisão minha e da Fanny Rabasse, assessora de imprensa do Moulin Rouge", disse o carnavalesco Cahê Rodrigues.   As 26 moças e seis rapazes chegaram na quinta-feira e já foram recepcionados no aeroporto pela bateria da Grande Rio. Antes delas chegou um container com um tonelada e meia de roupas. O samba da escola "Voila, Caxias! Para sempre Liberté, Egalité, Fraternité. Merci Beaucoup, Brésil! Não tem de quê!" não é novidade para os dançarinos. Há um mês eles ensaiam ao som do samba-enredo, que foi até mesmo vertido para o francês pela cantora brasileira Loalwa Braz, radicada em Paris.     Depois do carnaval, elas se apresentam no Baile de Máscaras do Sofitel. Cahê contou que não foi fácil convencer o Moulin Rouge. Ele e o presidente da Grande Rio, Helinho Rodrigues, visitaram todos os espetáculos da noite parisiense, antes de apresentar argumentos para que os diretores do cabaré mais tradicional mandassem bailarinos para o Brasil.   "É uma casa que não fecha, são dois espetáculos por noite de segunda a segunda. E muitos deles não conheciam o carnaval", diz Cahê, que mostrou fotografias e filmes com imagens dos desfiles da Grande Rio. "Uma tradutora tentava passar para eles a emoção que sentíamos ao descrever o desfile." Cahê e Helinho convocaram a imprensa para apresentar o carnaval da Grande Rio - foi a primeira entrevista coletiva de uma escola de samba marcada para as vésperas do desfile com esse fim.   "Esse é um grande projeto. Não é somente mais um desfile. A Grande Rio tem a responsabilidade de abrir o ano da França no Brasil. Isso é muito importante para o País, não só para o carnaval", disse Cahê. A apresentação da Grande Rio custou "R$ 7 milhões e pouco", nas palavras do dirigente da escola. Cerca de R$ 4 milhões vieram do patrocínio de 17 empresas francesas e de duas brasileiras. O governo da França apoia a escola, mas sem ajuda financeira, informou Helinho.

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