Movimentação acende luz de alerta nas fileiras petistas

A articulação de partidos da base governista com PSDB de Aécio Neves (MG) é vista como perigosa por setores do PT. A possibilidade de o próprio PT chegar a apoiar o tucano para presidência do Senado em um acordo com o PSB para tirar a hegemonia do PMDB, mesmo informalmente e nos bastidores, pode ser um tiro no pé, nessa avaliação.

Bastidores: Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2010 | 00h00

O PT vê com temor a hipótese de minar o maior partido no Senado - em 2011 serão 20 peemedebistas - e o segundo maior na Câmara, com 79 deputados. Na Câmara, setores do PT estão seduzidos com a ideia de se aproximar mais de outros partidos da base para garantir a presidência da Casa, caso o PMDB não aceite um petista no posto nos dois primeiros anos de mandato. Esse é um plano B aventado por petistas para pressionar o PMDB a um acordo.

O deputado José Genoino (PT-SP) reagiu para acalmar os afoitos. "Não se pode iniciar um governo tensionando a primeira bancada do Senado e a segunda da Câmara. Os desafios são muito grandes e, em política, a gente não sabe o dia de amanhã", alerta Genoino.

Dirigentes do PSB defendem a eleição de Aécio para a presidência do Senado para minar o poder do PMDB. Depois de eleger seis governadores e aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado, o PSB quer se apresentar como uma alternativa. A ideia de se aliar a Aécio, antes restrita a conversas de bastidores, ficou pública depois da defesa do governador do Ceará, Cid Gomes, na reunião da Executiva do PSB.

Interlocutores de Aécio apostam que ele usará os dois primeiros anos de mandato para articulações e não deverá se apresentar como uma alternativa para a presidência da Casa. Nesse entendimento, o tucano deverá apoiar o PMDB para, até 2013, costurar uma aliança ampla que envolva os próprios peemedebistas em torno de sua candidatura para o comando do Senado.

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