JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Movimentação de talude em Barão de Cocais acelera e atinge 20 centímetros, diz ANM

De acordo com a Agência Nacional de Mineração, essa movimentação se dá em pontos isolados da estrutura; Defesa Civil continua monitorando o risco no local

Isadora Duarte, de São Paulo, e Felipe Resk, enviado especial à Barão de Cocais, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 16h14

O talude norte da mina de Gongo Soco da mineradora Vale em Barão de Cocais (MG) passou a se movimentar 20 centímetros por dia em alguns pontos isolados e 15,8 centímetros por dia em sua porção inferior, segundo informações divulgadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). No sábado, 25, no boletim anterior publicado pela agência, a velocidade da movimentação era de 14,1 centímetros por dia na parte inferior e 19 centímetros por dia nos pontos mais críticos. As previsões eram de rompimento do talude até este final de semana.

A Defesa Civil continua monitorando a movimentação do talude. Embora as autoridades já comecem a dizer não ser possível estabelecer o dia exato, a ruptura do talude é dada como certa. "Há uma deformação progressiva, que está avançando de maneira não uniforme. Por isso, alguns pontos andam mais do que os outros", afirmou o major Eduardo Lopes, superintendente de Gestão de Desastres da Defesa Civil de Minas. "Essa velocidade tem aumentado, mas a pedra ainda não se desprendeu."

Dada a ruptura, existem dois cenários possíveis. Na melhor hipótese, a estrutura escorrega aos poucos e fica retida na cava da mina, sem causar grandes impactos para moradores de Barão de Cocais e da região. Na pior, a queda provoca um abalo sísmico que estoura a barragem de rejeitos, localizada a 1,5 quilômetro de distância. Esse risco é entre 10% e 15%, segundo auditoria contratada pela Vale.

Sob expectativa do rompimento, Barão de Cocais (MG) passou o domingo, 26, com casas e comércios fechados. Nas ruas, poucos veículos, exceto pelo trânsito de viaturas dos Bombeiros, Polícia Militar ou de homens da Defesa Civil. Desde segunda-feira, 20, o munícipio vive, mais apreensivo, o risco de a estrutura desmoronar.  Assim como foi ao longo da semana, a barragem é o principal assunto na região - seja em conversas na calçada, nos poucos comércios abertos ou até mesmo no hospital. "Eu acho que a lama vai vir, mas não vai ser esse exagero todo", comentou a caixa de um restaurante em Santa Bárbara.

A Vale avisou autoridades acerca da movimentação do talude no último dia 13, quando a movimentação era de 4 centímetros por dia.  Habitantes de áreas de maior risco foram transferidos para hoteis ou casas alugadas pela Vale. Também estão sendo feitas obras preventivas para conter a lama, no caminho entre a mina e Barão de Cocais.A barragem da mineradora está localizada a 100 quilômetros de Belo Horizonte.

Em outra barragem em Santa Bárbara, a sirene da mineradora Anglo Gold disparou acidentalmente na tarde de sábado, 25, e assustou alguns moradores, mas a situação logo foi resolvida. Apesar da proximidade, o evento não tem relação com a mina do Gongo Soco.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.