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Movimento negro acusa bancos de racismo

Depois que 15 negros sofreram constrangimento em portas giratórias de agências bancárias da capital baiana, a entidade Disque Racismo, que luta contra a discriminação em Salvador, encaminhou hoje uma denúncia ao Ministério Público Estadual. Eles pedem a instauração de um inquérito civil para apurar os casos e punir os responsáveis."Os negros pobres e humildes são as maiores vítimas dos vigilantes que controlam as portas de acesso aos bancos", reclamou Wilson Santos, um dos coordenadores do Disque Racismo. Ele quer que o Ministério Público convoque diretores dos bancos e das empresas de segurança para saber quais são as orientações dadas aos vigilantes. "É preciso ficar claro se a ordem é para desconfiar de todo negro que procura numa agência bancária", disse, achando "um absurdo" que episódios como esses ainda ocorram em Salvador, onde 80% da população é negra.O Disque Racismo decidiu recorrer à Justiça para tentar acabar com os problemas nas portas giratórias principalmente após um episódio envolvendo uma senhora em uma agência do Bradesco na Baixa dos Sapateiros, centro da cidade. Ela teria sido humilhada pelo vigilante e precisou esvaziar sua sacola onde agulhas de crochê faziam o detetor de metais travar a porta. Já dentro do banco, foi algemada por uma delegada, chamada ao local sob a alegação de que a mulher estava provocando tumulto na porta da agência. "Procuramos o gerente do banco, mas ele se recusou a identificar a delegada, então pedimos providências ao MP que solicitou abertura de inquérito na Corregedoria da Polícia, mas, até o momento desconhecemos qualquer detalhe sobre o andamento do caso", disse Santos.Por sua assessoria de comunicação em São Paulo, o Bradesco enviou nota aos jornais de Salvador negando haver qualquer procedência na denúncia de prática de racismo em suas agências, onde seria feito um "atendimento democrático".

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