Movimento no Campo de Marte cresceu 30%

Mudança ocorreu após acidente em Congonhas, segundo aeroclube

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2007 | 00h00

As restrições impostas ao Aeroporto de Congonhas após a tragédia com o Airbus da TAM provocaram aumento do número de pousos e decolagens no Campo de Marte. "O crescimento foi de 30%", avalia o comandante Emílio Fiori Neto, vice-presidente do Aeroclube de São Paulo, que está sediado há 76 anos no Campo de Marte. Mesmo sem estimar um porcentual, o diretor-executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano da Costa, tem a mesma impressão. "Marte voltou a ser uma opção porque nem sempre as empresas conseguem autorização para operar em Congonhas."Tanto o assessor especial da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Edgar Brandão, quanto o superintendente da Região Sudeste, Reinaldo Souza, admitiram que as obras na pista e as limitações aos vôos com origem ou destino em Congonhas levaram ao crescimento do número de operações em Marte. "Durante a reforma das pistas de Congonhas, algumas empresas passaram para lá", disse Brandão. A estatal se comprometeu a divulgar hoje as estatísticas sobre o volume de tráfego em Marte.Parlamentares que integraram as CPIs do Apagão Aéreo da Câmara e do Senado também chamaram a atenção para o movimento acima da média no aeroporto da zona norte. "Não existe fiscalização adequada nesse tipo de terminal", disse o vice-presidente da CPI da Câmara, Eduardo Cunha.Em 2002, pouco mais de 96 mil aeronaves pousaram ou decolaram de Marte. Até 2004, a tendência era de queda do número de operações. Nos últimos dois anos, porém, o número de operações voltou a crescer, chegando a 85 mil. Apesar de estar a 8 quilômetros do centro, o aeroporto tem poucos atrativos para as empresas de táxi aéreo e mesmo para a avião executiva. "O eixo de negócios da cidade está na zona sul, por causa da Berrini (Avenida Luís Carlos Berrini, onde estão sediadas diversas multinacionais). Descer em Congonhas ainda é muito mais vantajoso", afirma o diretor-executivo da Abag.Fundado em 1920, o Campo de Marte foi o primeiro aeroporto de São Paulo. Hoje, é dedicado exclusivamente à aviação geral (táxi aéreo e jatos executivos). Também serve como base para helicópteros, escolas de pilotagem e o serviço aerotático das polícias civil e militar. Por ter uma pista curta - 1.600 metros de extensão, sendo 1.300 metros de área útil -, só tem condições de receber aviões de pequeno porte, entre eles alguns modelos da família Learjet."O Campo de Marte tem uma pista curta e restrições pela ausência de certos equipamentos de auxílio à navegação, mas isso não parece ter relação com essa acidente", disse ao Estado o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). COLABORARAM FABRÍCIO DE CASTRO e LUCIANA NUNES LEAL

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