Movimento quer estado de defesa em Campinas

O Movimento Viva Campinas elabora um documento, a ser encaminhado ao presidente Fernando Henrique Cardoso, no qual pede que seja decretado estado de defesa na cidade, medida inédita no País. A organização pretende conseguir 10 mil assinaturas para reforçar o pedido. Até hoje, disse o presidente da entidade, o advogado Agostinho Tavolaro, 2 mil pessoas já haviam aderido à proposta. Segundo Tavolaro, o estado de defesa está previsto na Constituição de 1988: é uma versão branda que o estado de sítio, e pode ser decretado para determinada localidade a fim de "restabelecer a ordem pública e a paz social". O movimento lançou o projeto nesta segunda-feira, e vai tentar uma audiência com Fernando Henrique na próxima semana.Ao decretar estado de defesa, o presidente nomeia um executor, que pode ser qualquer pessoa, para assumir o comando do policiamento e cuidar do combate à violência. Para o advogado, o ideal seria que o presidente requisitasse o apoio do Exército e nomeasse um oficial das Forças Armadas que pusesse tropas e blindados nas ruas. "Isso intimidaria os bandidos", acredita.O executor tem 30 dias para atuar, prazo que pode ser prorrogado por mais 30. Nesse período, ele tem o poder de decretar prisões por dez dias, determinar escutas telefônicas e suspender direitos, sem autorização do Judiciário, desde que haja indícios contra os atingidos. "A idéia é chamar a atenção para o grave problema de Campinas." Tavolaro lembrou que o governo federal não pode intervir diretamente na questão da segurança, atribuição do Estado, salvo em casos de narcotráfico. Mas pode nomear alguém que o represente em casos de desestrutura social.O Movimento notificou oficialmente a prefeita Izalene Tiene (PT), a Câmara Municipal e o Ministério da Justiça sobre a proposta. A entidade usa como argumento o fato de que os moradores de Campinas têm se ilhado em suas casas. "Há uma clara redução do lazer noturno em Campinas. Mesmo bares e shoppings registram diminuição da freqüência de consumidores nos últimos meses." A prefeita disse que não considera o estado de defesa "a melhor medida" para Campinas, mas elogiou a mobilização dos moradores.O comando da Polícia Militar em Campinas informou que não está autorizado a falar com a imprensa. O delegado seccional, Osmar Porcelli, não foi encontrado para comentar o assunto. Segundo seus assessores, ele estava em reunião com representantes da PM justamente para discutir estratégias de redução da violência na cidade.Ciganos A comunidade cigana de Campinas e a Associação de Preservação da Cultura Cigana do Brasil, com sede em Curitiba, também se mobilizam para pedir empenho na investigação da morte de Rosana Rangel Melotti, integrante da comunidade morta a tiros por seqüestradores na frente de sua casa, no bairro Alto Taquaral.O presidente da associação, Cláudio Iovanovitchi, viajou hoje a São Paulo. Esteve na Procuradoria da República para apresentar uma lista com nomes de três suspeitos de crimes contra a comunidade cigana. Escolheu a procuradoria porque disse não confiar na polícia.Outro representante da associação, Osvaldo Aristides, viajou a Brasília para levar ao Ministério da Justiça uma carta em que pede rigor na apuração do caso, atribuído à quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Lima, o Andinho, o criminoso mais procurado atualmente na região.

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