Movimento recua e mantém apenas 2 das 6 exigências

Líder grevista diz que paralisação é pacífica e ironiza apoio dado por governador a policiais em 2001, quando era da oposição

05 Fevereiro 2012 | 11h44

O comando grevista admitiu, na tarde de ontem, ter diminuído a lista de exigências para que a paralisação dos PMs seja concluída e a Assembleia Legislativa, ocupada por manifestantes desde terça-feira, seja liberada. Segundo Marco Prisco, presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), que deflagrou o movimento, a pauta de reivindicações, que inicialmente tinha seis itens, como incorporação de gratificações aos salários e regulamentação para pagamento de adicionais, foi reduzida a dois: anistia aos grevistas e pagamento da Gratificação por Atividade de Polícia.

“Veja que são pedidos simples: um é relativo ao retorno ao trabalho dos colegas e o outro é apenas cumprir o que já determina a lei”, diz Prisco. Ele acrescenta que também abriu mão de participar das negociações com o governo do Estado – a associação que dirige não é reconhecida pelo comando da PM. “O que falta ao governo é apenas dialogar com seriedade, porque já diminuímos bastante a pauta para colaborar com a sociedade, que está clamando por segurança.”

Quando informado de que o governador não negociaria a anistia e havia acusado os participantes do movimento de crimes, incluindo homicídios, Prisco disse concordar que a anistia não se aplique nesses casos, se comprovados. “Se o governador diz ter certeza de que há policiais praticando crimes pelo Estado, esses crimes devem ser investigados e punidos como determina a lei, sem dúvida”, afirmou. “Não é o nosso caso aqui e nenhuma prática criminosa partiu ou foi pedida pela gente. Estamos em um movimento pacífico na Assembleia e o pedido de anistia é apenas para os integrantes desse movimento.”

Com chinelo, bermuda, regata e colete à prova de balas, Prisco só elevou o tom ao comentar sobre os 12 mandados de prisão que, segundo o governador, já foram expedidos pela Justiça baiana contra líderes da greve. “Não sei nem se estou entre eles, mas sei que não cometi nenhum crime. A tropa já disse que não aceitará isso. Será que o governo do PT, que tanto critica a operação do Pinheirinho (reintegração de posse em São José dos Campos), vai querer fazer o mesmo aqui? Invadir um lugar onde há pais, mães, crianças, trabalhadores?”

Filiado ao PSDB há três meses, após passar os últimos anos no PSOL – antes foi do PT e do PC do B –, o ex-soldado da PM, afastado da corporação em 2002, depois de ajudar a liderar a maior greve da PM no Estado, em julho de 2001, também falou sobre política. Hoje, trata a manifestação de 11 anos atrás com certo sarcasmo, ao lembrar que o então deputado Jaques Wagner, junto a outras lideranças dos partidos da então oposição ao governo César Borges (à época no PFL de Antonio Carlos Magalhães), apoiaram, com recursos e equipamentos, a manifestação. “Será que não existe mais ninguém daquele PT hoje?”, ironiza.

Ele também admitiu a possibilidade de se candidatar a vereador neste ano, mas disse estar insatisfeito com o partido. “Troquei o PSOL pelo PSDB por divergências internas do partido, mas não sei se vou continuar filiado. Até o momento, ninguém do PSDB veio aqui apertar minha mão para me dizer ‘bom dia, você está bem?’. Não houve nenhuma declaração pública.”

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