Mozart cai no samba na Marquês de Sapucaí

Sob a batuta do compositor de música clássica Mozart, representado no abre-alas, no mestre-sala, carros alegóricos e na bateria, a Unidos da Tijuca apresentou um desfile empolgante, fazendo releituras dos carros alegóricos formados por componentes, uma marca do carnavalesco Paulo Barros. Isso garantiu emoção, leveza, descontração, e a escola cumpriu o prometido com o enredo "Ouvindo tudo o que vejo, vou vendo tudo o que ouço". Quem sabe, desta vez, leva o campeonato, depois de perdê-lo para a Beija-Flor, ano passado, por apenas um décimo. Logo no abre-alas, a música, fio condutor do enredo, foi apresentada como uma forma de evocação. Vestidos de Mozart, componentes formavam três diferentes painéis, um deles, com o retrato de músicos que já se foram, como Renato Russo, Tom Jobim, Elis Regina e Cazuza. As fotos, viradas para baixo, transformavam-se em um vinil, base para a história mostrada pela escola. Homenagem ao velho vinil Foi durante uma arrumação em casa, que o diretor de carnaval, Luiz Carlos Bruno, encontrou a coleção de discos, fonte de antigas lembranças. "Foi daí que decidimos o tema", contou Paulo Barros. O vinil foi o adereço principal da saia da primeira porta-bandeira, Lucinha. Original, o vestido, em cor prata, trazia ainda penas de faisão. Voltou a aparecer durante o desfile no sexto carro, que simulava uma discoteca, onde dançavam Michael Jackson, Elvis Presley e James Brown. Como DJ, o onipresente Mozart. Foi ele quem tocou piano e sambou na comissão de frente, formada por 13 integrantes. O grupo trazia uma tecla do instrumento que acendia durante as performances. "É um adereço meio pesado, pois dentro tem uma bateria de moto", explicou o coreógrafo, Sérgio Lobato, estreante na Unidos da Tijuca. Na primeira parte do desfile, a escola relembrou marchinhas de carnaval, como "Olha a cabeleira do Zezé" e "Mamãe eu quero". Deu espaço também para as mulatas, que dançavam em um carro com mais fotos de sambistas, entre eles, Paulinho da Viola e Elton Medeiros. Além de representadas em alas, como a de "Dançando na Chuva", muito bem coreografada, foi o tema principal do quarto carro, onde o público recordou uma cena do filme "ET, o extraterrestre", quando o protagonista voava de bicicleta. O carro de maior impacto, na opinião de Paulo Barros, foi o que apresentou o clássico do brega "Fuscão preto". "Sou também artista plástico. E, falando como tal, destaco ele, que é uma peça de arte contemporânea", disse o carnavalesco, sobre a alegoria com 20 automóveis e canos de escapamentos retorcidos. Paulo evitou usar carros acoplados, tendência utilizada por várias escolas para torná-los maiores. "Se você comprar um BMW, será que vai ter condições de pagar por ele?", perguntou, fazendo uma referência aos problemas ocorridos com carros alegóricos. Quando o relógio marcava cinco da manhã, a escola fechou seu desfile. Trazia, mais uma vez, um carro onde os componentes representavam a parte principal. Vestidos de Mozart, homenageavam as rivais, abrindo a bandeira de todas as agremiações que se apresentaram no Grupo Especial.

Agencia Estado,

28 Fevereiro 2006 | 06h11

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