MP admite libertar ex-pastor acusado de homicídio

Depois de tentar condenar o ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Silvio Galiza, a mais de 18 anos de prisão pela morte de um estudante de 14 anos, o Ministério Público da Bahia admite que ele pode ser inocente. Agora deve trabalhar para libertá-lo, a partir das novas informações relacionadas ao crime.Em novo depoimento prestado ao MP, Galiza denunciou o bispo Fernando Aparecido da Silva, de 28 anos, e o pastor Joel Miranda, de 40, como verdadeiros autores do crime. Ele disse ter sido subornado e ameaçado de morte desde o início por Silva e Miranda para não incriminá-los, mesmo que isso implicasse sua própria condenação, o que acabou acontecendo. Novo subornoGaliza revelou que, na sexta-feira, foi procurado pelo advogado da Igreja Universal, Matheus Cerqueira, propondo novo suborno. "Não aceitei", disse. O advogado negou o suborno, mas sua visita ao ex-pastor está registrada na administração do presídio onde o condenado cumpre pena. Galiza decidiu abrir o jogo após sua família receber proteção das autoridades policiais da Bahia.O promotor Oscar Araújo da Silva, que cuida do caso, está investigando as novas informações com a Delegacia de Homicídios. "Tentamos tomar o depoimento de Miranda que preferiu permanecer calado e solicitamos a prisão temporária do bispo Silva, mas ele está foragido", disse o promotor.CondenaçãoO representante do Ministério Público disse que Galiza foi condenado por ter omitido informações no julgamento e ter sido identificado por testemunhas como a última pessoa vista com o estudante assassinado. Contudo, se for comprovada a sua inocência, o promotor pretende impetrar habeas-corpus para libertar Galiza e enviar o relatório à Justiça para um novo julgamento.Em março de 2001, o estudante sofreu violência sexual, foi morto e teve o corpo parcialmente carbonizado dentro de um templo da Igreja Universal, no Bairro do Rio Vermelho.

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