Prefeitura de Curitiba
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MP alertou governo sobre risco de confronto com professores no PR

Ministério Público enviou documento com recomendações a Richa, Francischini e à PM caso houvesse algum tipo de distúrbio 

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado

07 Maio 2015 | 20h00

CURITIBA - O Ministério Público do Paraná enviou, um dia antes da ação policial que resultou em mais de 200 feridos, entre professores e PMs, um documento ao governador Beto Richa (PSDB), seu secretário de Segurança, Fernando Francischini (Solidariedade), e o então comandante-geral da polícia, coronel Cesar Kogut, em que alertava sobre os perigos de um confronto. Neste documento, segundo o MP-PR, estavam recomendações já discutidas anteriormente com o governo, como a "garantia ao direito de manifestações públicas nos arredores da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) com base no livre acesso àquele espaço público".

Sobre a mobilização em frente à Alep, caso houvesse algum tipo de distúrbio, havia a recomendação de que a "atuação deveria incidir tão somente em relação ao indivíduo que estiver cometendo o ilícito", não de forma coletiva.

Outras cinco recomendações para evitar o conflito também foram encaminhadas. No final do documento, o MP adverte que o "descumprimento da presente recomendação poderá acarretar a responsabilidade dos agentes públicos que deixarem injustificadamente de exercer suas obrigações funcionais".

Em entrevista coletiva um dia após a ação policial, o promotor dos Direitos Humanos Olympio de Sá Sotto Maior disse que todos os detalhes da operação serão registrados para que sejam apontados os responsáveis. "Queremos os detalhes, as ordens, a cadeia de comando em toda a operação."

Por causa disso, o MP continuará colhendo, por mais 20 dias, os depoimentos de pessoas que estiveram no episódio, além de receber vídeos - até agora foram 150 - que ajudem nas investigações para o inquérito que está sendo instaurado.

Em Londrina, uma estudante relatou ao promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais Paulo Tavares que foi detida com outros três colegas e levada para uma sala no Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado, onde foi obrigada a se despir e só foi liberada após ficar algumas horas em situações constrangedoras. "Não colocaram a mão em mim, mas me fizeram ficar totalmente nua, com as mãos na parede, ouvindo me xingarem", afirmou. A estudante, que foi identificada pela polícia como sendo uma black bloc, foi reconhecida pela Universidade Estadual de Londrina como sendo aluna.

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