MP apura se Maroni pagou a militar para liberar hotel em Congonhas

Outra suspeita investigada é a de que empresário subornou policiais civis para manter aberta a boate Bahamas

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2007 | 00h00

O Ministério Público Estadual (MPE) investiga se o empresário Oscar Maroni Filho pagou a um oficial da Aeronáutica para liberar a construção do Oscar?s Hotel, que fica ao lado do Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. Promotores também apuram suposto pagamento de propina a policiais civis e peritos criminais para não fecharem o Clube Bahamas, empreendimento mais notório de Maroni. Preso desde 14 de agosto, ele é acusado de favorecimento e exploração de prostituição no Bahamas, formação de quadrilha e tráfico de mulheres. As investigações são conduzidas pelo promotor José Carlos Blat, o mesmo que obteve na Justiça a decretação da prisão de Maroni. A Inteligência do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) foi informada pelo MPE sobre o suposto pagamento de suborno para a liberação do prédio. Interditado pela Prefeitura após a tragédia com o Airbus A320 da TAM, que deixou 199 mortos em 17 de julho, o prédio é hoje alvo de disputa judicial entre os advogados do empresário e o Executivo - que pretende derrubá-lo. A autorização para a construção do Oscar?s Hotel, uma torre com 47,5 metros de altura, foi solicitada em 1999. A obra começou em 2000, depois de o empresário conseguir a devida autorização do 4º Comando Aéreo Regional (Comar). O MPE mantém sob sigilo o nome do militar sob investigação. Mas, segundo o Estado apurou, a suspeita é de que o oficial possa ter usado seus contatos dentro da Aeronáutica para facilitar a liberação da obra. A pista que os promotores seguem é um cheque de R$ 10 mil que teria sido dado por Maroni ao militar. Segundo a Aeronáutica, o militar deixou a Força Aérea em 1996, mesmo ano em que montou uma consultoria. A empresa se apresenta como especializada em atender às necessidades que surgem na hora da construir, ampliar ou promover alterações em construções que exigem aval do comando da Aeronáutica. Especialista em tráfego aéreo, o oficial trabalhou com proteção de vôo na Força Aérea Brasileira (FAB) durante mais de 20 anos e é descrito por fontes consultadas pelo Estado como alguém que conhece a burocracia em tudo que diga respeito a aeroportos. A Promotoria quer saber agora qual a relação do militar com a análise da planta do hotel feita pelo comando da Aeronáutica. Foi a Força Aérea Brasileira (FAB) que concluiu que o prédio, localizado a 600 metros em linha reta da cabeceira da pista, não interferia no tráfego aéreo rotineiro do aeroporto. SEM RELAÇÃO A FAB informou ontem que não costuma manter relações com oficiais da reserva. Afirmou ainda não saber se o militar investigado pelo MPE prestou consultoria para Maroni depois de se desligar da Aeronáutica. A reportagem do Estado não conseguiu falar com o advogado de Maroni, Daniel Stein.

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