Marcelo Camargo/Agência Brasil via AP
Marcelo Camargo/Agência Brasil via AP

MP de Goiás pede prisão preventiva do médium João de Deus

Medida foi tomada cinco dias depois de virem à tona denúncias de abusos sexuais, mas pedido ainda precisa ser aceito pela Justiça; mais de 200 mulheres denunciaram o médium em dois dias

Lígia Formenti, enviada especial, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2018 | 18h30

ABADIÂNIA (GO) - A Promotoria de Justiça de Goiás solicitou a prisão preventiva de João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus. A medida foi tomada cinco dias depois de virem à tona denúncias de abusos sexuais. O pedido ainda precisa ser aceito pela Justiça.

As vítimas seriam mulheres que teriam buscado tratamento espiritual com o médium. Até terça-feira, 11, mais de 200 mulheres de mais de oito Estados e de fora do País haviam procurado o Ministério Público para denunciar abusos sexuais.

O advogado de João de Deus, Alberto Zacharias Toron, afirmou não ter sido oficialmente notificado de um pedido de prisão preventiva contra seu cliente. "Não tenho essa informação. Mas se ela for confirmada, ela é descabida: ele está à disposição da Justiça, está trabalhando normalmente", disse. 

O Ministério Púbico de Goiás montou nesta segunda uma força tarefa para investigar as denúncias de abuso sexual que teriam sido cometidas pelo médium, que atende na cidade de Abadiânia.

Nesta quarta-feira, 12, pela manhã, o médium fez uma visita tumultuada no Centro Dom Inácio de Loyola, onde realiza "cirurgias espirituais" em Abadiânia, no interior de Goiás. Em um rápido pronuciamento, disse que era inocente e que estaria à disposição da Justiça. Foi a primeira aparição pública do médium depois que mulheres vieram a público acusá-lo de abuso sexual.

As denúncias afetaram o movimento da casa, onde atendimentos são realizados. Por volta das 8h30, cerca de 400 pessoas - incluindo crianças e duas pessoas de cadeiras de rodas - aguardavam a chegada do líder espiritual.  Isso representa um terço do movimento habitual. 

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