MP decide ouvir deputado antes do previsto

Promotor acredita que Barbiere vai dar nomes de colegas envolvidos em esquema de emendas

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2011 | 03h05

O Ministério Público Estadual decidiu antecipar o depoimento do deputado Roque Barbiere (PTB)no inquérito civil aberto para investigar denúncia sobre suposto mercado de emendas na Assembleia Legislativa de São Paulo, envolvendo parlamentares, empreiteiros e prefeitos.

A decisão foi tomada ontem pelo promotor de Justiça Carlos Cardoso, da Promotoria do Patrimônio Público, braço do Ministério Público que investiga improbidade e corrupção.

Hoje, a assessoria de Cardoso vai fazer contato com o gabinete de Barbiere e agendar dia e hora para a audiência. "Se ele (deputado) colaborar, as coisas vão andar bem", avalia o promotor. "O depoimento no menor espaço de tempo é importante para que possamos delimitar as investigações, o alcance da apuração."

A partir do relato formal de Barbiere, observa o promotor, será possível "ir atrás das provas".

Cardoso planejara chamar o deputado, autor das denúncias que atingem o Legislativo, depois de algumas medidas de caráter burocrático, mas inevitáveis, entre as quais solicitação ao governo e à Assembleia de dados e documentos acerca da tramitação das emendas.

O que fez o promotor mudar sua pauta e eleger como prioridade a notificação de Barbiere é o fato de que o petebista tem dado sinais claros de que está disposto a apontar nomes de seus pares e contar como funcionava o "modus operandi" do grupo.

Estrategicamente, o Ministério Público pretende antecipar-se a um jogo de pressão nos bastidores do Palácio 9 de Julho, sede do Legislativo estadual, que possa levar ao eventual recuo do parlamentar - embora suas revelações a veículos de comunicação tenham sido gravadas em áudio e vídeo, espontaneamente.

Cardoso queria primeiro submeter as gravações à perícia da Polícia Científica para verificar a autenticidade do material. "Se ele confirmar o que está nos vídeos, não haverá necessidade da prova técnica", explicou.

Alerta. A primeira entrevista foi dada em 10 de agosto ao professor Arthur Leandro Lopes, que conduz o programa Questão de Opinião em canal de internet de Araçatuba, cujo conteúdo é reproduzido pelo jornal Folha da Região. Segundo ele, entre 25% e 30% de seus colegas negociam emendas. "Tem um belo de um grupo que enriquece."

Na sexta-feira, em nova entrevista, o deputado amplia o relato e se diz pronto para apontar "dois ou três nomes". Afirma que o Palácio dos Bandeirantes já havia sido avisado sobre a maracutaia. "Alertei o governo, alertei a Secretaria de Planejamento, a Casa Civil, a eles (deputados) e a imprensa", afirmou à TV TEM, de São José do Rio Preto, afiliada da TV Globo.

"Em juízo, se questionado, citarei um, ou dois ou três nomes para eles terem um exemplo do modus operandi", adiantou. "Arruma uma empreiteira e diz: eu tenho R$ 2 milhões. Quanto você me paga? É como se fosse um produto qualquer. O cidadão fala: eu te pago tanto aí. O empreiteiro sai procurando os prefeitos para alocar os recursos mediante alguma coisa que eles combinam. Os prefeitos, desesperados para fazer a obra, acabam se sujeitando a comprar as emendas."

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