MP denuncia 12 por tráfico de cadáveres em MG

O Ministério Público (MP) entregou ontem à Justiça de Ipatinga, em Minas, denúncias contra 12 pessoas, entre diretores, professores e funcionários da Universidade do Vale do Aço (Univaço) e policiais civis, acusados de integrar uma quadrilha que estaria traficando cadáveres de pessoas assassinadas ou acidentadas para a Faculdade de Medicina da instituição. Segundo o MP, que iniciou investigações sobre o caso em junho, corpos e vísceras usados no Laboratório de Anatomia da faculdade teriam sido "doados" irregularmente por Institutos Médicos Legais de cidades da região, onde se concentram vítimas de mortes violentas - inclusive corpos de crianças baleadas teriam sido utilizados por alunos de Medicina."Dois sócios da faculdade, o diretor da área de saúde da instituição e outras pessoas formaram uma quadrilha para praticar comércio ilegal de cadáveres", afirmou o procurador-geral de Justiça de Minas, Neden Oliveira. "Outros foram denunciados por corrupção passiva, uma vez que obtiveram vantagem para prática de ilícitos", acrescentou, referindo-se a policiais lotados nos IML´s de Ipatinga, Governador Valadares e Teófilo Otoni.Também foram denunciados dois ex-delegados regionais, entre eles o atual superintendente de Polícia Civil de Minas, Inácio Gomes de Barros, que "teriam conhecimento do caso" - inquéritos foram abertos e encerrados por falta de provas -, "mas não tomaram medidas cabíveis contra seus subordinados", segundo Oliveira. O documento do MP, do qual constam depoimentos de 22 testemunhas, foi entregue ao juiz Elias Charbil Abdou Obeid, que pode acatar ou não as denúncias. Em um trecho, os promotores que cuidaram do caso comparam o que estaria ocorrendo na Univaço ao nazismo. O procurador Oliveira informou que, dependendo da decisão judicial, o MP pode entrar com recurso no Tribunal de Justiça de Minas. Os dois sócios da universidade, Ronaldo de Souza e Adalberto Maia Barbosa, não foram encontrados para comentar as acusações contra eles e a instituição.

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