MP denuncia 5 policiais por achaque

Investigadores e um informante são acusados de chantagear duas pessoas ligadas a traficante colombiano

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2009 | 00h00

O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou cinco policiais e um informante por causa de dois achaques a pessoas ligadas ao traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía. Três dos acusados eram investigadores do 3º Distrito Policial de Diadema, na Grande São Paulo, e outros dois trabalhavam no 41º DP na Vila Rica, na zona leste de São Paulo.São duas as denúncias do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) - os promotores não quiseram se manifestar, pois aguardam decisão judicial. Na primeira, o achaque teve como vítima o empresário Daniel Bráz Maróstica, apontado como braço direito de Abadía. Maróstica foi cercado por quatro homens - três deles seriam os investigadores Pedro Paulo Rodrigues Oliveira, Thiago Luiz Berbare Bandeira, o Jota Quest, e Claudio Batista Freiria - em maio de 2006, na zona sul de São Paulo. Os policiais de Diadema decidiram pegá-lo depois que foram passados para trás por colegas do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc). Os homens de Diadema haviam contado aos colegas do Denarc que o traficante colombiano Henry Edval Lagos, o Patcho, amigo de Abadía, estava em São Paulo. Queriam ajuda para o achaque, mas os corruptos do Denarc foram mais rápidos. Pegaram Patcho e tomaram US$ 280 mil dele. Assustado com a virulência e o apetite dos policiais, Patcho deixou o Brasil. Inconformados com a situação, os homens de Diadema foram compensar o prejuízo, achacando Maróstica. Dele, obtiveram uma moto Yamaha vendida por R$ 34 mil - o comerciante supostamente responsável pela operação de venda foi denunciado pelos promotores sob a acusação de receptação.Descontente com o que ganhou de Maróstica, Oliveira entrou em contato com os policiais Anselmo Ferreira, o Barrabás, Christian Renner Fernandes de Godoy, o Alemão, e outros três possíveis policiais ainda não identificados para atacar outro acusado de compor o bando de Abadía: o piloto André Luiz Telles Barcellos.Era 14 de julho de 2006 quando os policiais sequestraram Barcellos e seu sócio na Vetol Táxi Aéreo, João Pereira de Souza. Os policiais pegaram os R$ 85 mil que eles carregavam e exigiram então R$ 1 milhão para libertá-los. Souza foi solto para providenciar o dinheiro. Os policiais receberam como resgate US$ 100 mil e R$ 110 mil em dinheiro e ainda uma picape Nissan Frontier, vendida por R$ 70 mil.

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