MP denuncia casal por morte de garoto

Perícia derruba versão de que menino teria ingerido tóxico

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

04 Outubro 2008 | 00h00

Acusados de torturar até a morte o menino Pedro Henrique Marques Rodrigues, de 5 anos, o casal Kátia Marques, mãe do menino, e o representante comercial Juliano Aparecido Gunello, o padrasto, foram denunciados pelo promotor José Roberto Marques. O menino, que sofria maus-tratos e era torturado havia cerca de um ano, morreu no dia 12 de junho, no Hospital Santa Lydia, em Ribeirão Preto. A alegação do casal de que ele havia ingerido um produto para combater ferrugem foi desmentida pelos exames periciais, que constataram fraturas e lesões na criança. A mãe e o padrasto moravam desde 2007 em condomínio de classe média na cidade. Vizinhos descreveram à polícia a maneira cruel como o casal tratava o menino. Eles disseram que o garoto era obrigado a ficar fora do apartamento durante o dia, vagando pela área comum do condomínio até escurecer. Constantemente Pedrinho perguntava à faxineira do condomínio: "Falta muito para escurecer?" Era comum os vizinhos testemunharem o menino gritando para que a mãe abrisse a porta do apartamento. Com fome e frio, muitas vezes a criança foi alimentada por eles, que viam o menino vestindo roupas que já não lhe serviam e com manchas roxas nas pernas, no pescoço e no rosto. Um dia, uma testemunha ouviu o padrasto gritar: "Não agüento mais; uma hora vou acabar matando esse moleque." Na escola, Pedrinho, abatido, vomitava depois de comer. Ao questionar a mãe sobre as marcas roxas no corpo do menino, a professora ouviu a mulher dizer que o padrasto era "muito enérgico". No dia da morte do menino, os vizinhos escutaram uma discussão do casal. "Ouviu-se Kátia gritar: ?Pára, pára, chega Juliano?", afirmou o promotor. Segundo a acusação, ao ser questionada sobre as manchas roxas no corpo do menino, a mãe disse que elas tinham "origem emocional". O laudo médico, porém, constatou que o menino foi vítima de uma "embolia gordurosa em virtude de politraumatismos característicos de violência contra a criança". Duas fraturas nas costelas ocorreram 30 dias antes da morte e a do antebraço, entre 12 e 36 horas antes. Além delas, os médicos acharam 65 lesões no menino, que tinha hemorragia no olho, no crânio e no tórax. A pena mínima para esse crime é de 9 anos e 4 meses de prisão.

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