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MP denuncia dez policiais por facilitar fuga de Beira-Mar

O Ministério Público de Minas ofereceu denúncia criminal à Justiça contra dez policiais civis - um delegado, um sub-inspetor e oito detetives -, acusados de facilitação, mediante pagamento de propina de R$ 500 mil, da fuga do traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, ocorrida em 1997 da carceragem do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), em Belo Horizonte. O delegado Rubens de Faria Resende teria recebido R$ 300 mil, com os quais comprou uma fazenda e dois veículos Blazer, registrados em nome do pai. Os outros nove policiais, também lotados no Deoesp, teriam rateado os R$ 200 mil restantes. Beira-Mar foi preso por posse de cocaína em Minas em 1996, em um apartamento de luxo na Zona Sul da capital. Condenado pelo então juiz da Vara de Tóxicos e Entorpecentes do Forum da cidade, Eli de Lucas Mendonça, ele cumpriu onze meses na carceragem do Deoesp, aguardando transferência para uma penitenciária. Na madrugada de 26 de março de 1997, no entanto, usando um alicate ele cortou cadeados da cela, desceu ao pátio da unidade por uma escada propositalmente deixada no local e fugiu, sem a menor dificuldade, pela porta da frente, junto com outros três presos. O caso foi investigado no ano passado pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa de Minas, que, depois de colher vários depoimentos, entre eles o do próprio Beira-Mar, concluiu que havia ocorrido a facilitação e identificou os envolvidos. "O traficante, preso poucos anos depois da fuga na Colômbia, nos disse, em Brasília, que fugiu graças aos seu lindos olhos, mas nós investigamos e constatamos que ele havia pago para escapar sem problemas", disse o deputado estadual Rogério Correia (PT), que foi relator da CPI mineira. Apesar disso, a Corregedoria da Polícia Civil de Minas abriu sindicância sobre a denúncia, mas não levou o caso adiante. Hoje o secretário de Segurança Pública do Estado, Márcio Domingues, não quis comentar o assunto. Além dos dez policiais - que podem ser enquadrados em corrupção passiva, facilitação de fuga, falsidade ideológica e crime de responsabilidade -, também foi oferecida denúncia contra os advogados Adalberto Lustosa de Matos e Carlos Roberto Ribeiro e contra o tabelião Wesley Silva e seu irmão, Wegleison Silva. Eles teriam negociado a fuga e providenciado o dinheiro.

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