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MP denuncia donos e técnicos da Backer por substâncias tóxicas em produtos da empresa

Técnicos terão de responder na Justiça pelo crime de homicídio culposo e lesão corporal culposa; promotoria aponta que 26 pessoas foram contaminadas e dez morreram

Leonardo Augusto, Especial para o Estadão

04 de setembro de 2020 | 19h17

BELO HORIZONTE - O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou nesta sexta-feira, 4, os três donos da fábrica Backer e sete técnicos da empresa por corromper, adulterar, falsificar ou alterar produto destinado ao consumo.

A Backer é a fabricante da marca Belorizontina. Conforme as investigações, as substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol, ambas tóxicas, estavam presentes na produção da Backer. A promotoria aponta que 26 pessoas foram contaminadas e dez morreram. Os sete técnicos foram denunciados também por homicídio culposo e lesão corporal culposa. Um funcionário foi acusado de mentir em depoimento.

Em 9 de junho, a Polícia Civil de Minas Gerais já havia indiciado os três sócios-proprietários da Backer, os sete técnicos e o funcionário que mentiu às autoridades. A acusação contra os donos da fábrica, por parte da PC, foi por não realização de recall (recolhimento no mercado) e manutenção de estoque e vendas de produtos que possam provocar intoxicação. 

Já os sete técnicos, também na peça da Polícia Civil, foram denunciados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e intoxicação de produto alimentar culposa. As investigações da corporação apontaram que as substâncias tóxicas, utilizadas em processo de refrigeração de tanques, chegava ao produto por vazamento na estrutura.

A promotora do Ministério Público responsável pelas investigações, Vanessa Fusco, afirma, em relação aos técnicos denunciados pela promotoria, que todos sabiam da adulteração do produto. 

“Os engenheiros e técnicos responsáveis pela produção de cerveja assumiram o risco de fabricarem produto adulterado, impróprio a consumo, que veio a causar a morte e lesões corporais graves e gravíssimas a inúmeras vítimas”, afirmou. As penas previstas para os sócios da empresa e responsáveis técnicos é de quatro a oito anos de prisão. A reportagem entrou em contato com a cervejaria para posicionamento sobre a denúncia da promotoria e aguarda retorno.

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