WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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MP denuncia filhos de Flordelis por matar marido da deputada

Segundo a denúncia, no dia do crime, Flávio dos Santos Rodrigues matou Anderson a tiros e Lucas Cezar dos Santos de Souza foi cúmplice do irmão

Fábio Grellet e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2019 | 11h46
Atualizado 21 de agosto de 2019 | 19h06

RIO - Dois dos filhos da deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSD-RJ) foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) pelo assassinato do pastor Anderson do Carmo de Souza, marido de Flordelis. O crime ocorreu em 16 de junho na casa da família, em Niterói, na região metropolitana.

Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos, filho de Flordelis com seu primeiro marido, e Lucas Cezar dos Santos de Souza, de 18, adotado pela parlamentar e pelo pastor, vão responder por homicídio triplamente qualificado, com pena de prisão por 12 a 30 anos para cada réu.

Segundo a denúncia, Flávio matou Anderson a tiros, por volta das 3h30, e Lucas foi cúmplice do irmão porque sabia da intenção, motivos e planos do irmão para matar Anderson e “a tudo aderiu e o ajudou a adquirir a arma utilizada no crime”.

A primeira qualificadora apresentada pelo MP-RJ foi motivo torpe. Segundo a denúncia, o pastor foi morto “por vingança relacionada ao descontentamento dos denunciados com a forma que a vítima controlava as finanças e administrava os conflitos existentes na extensa família”.

O homicídio também foi cometido por meio cruel, segundo o MP-RJ, “eis que, alvejada por dezenas de disparos de arma de fogo, inclusive na região próxima às genitálias, a vítima agonizou com intenso sofrimento até a morte”. Já a terceira qualificadora é o uso de “recurso que dificultou a defesa da vítima, eis que foi atingida de surpresa na garagem de sua residência quando, inclusive, vestia apenas sua roupa íntima”.

Flávio também foi denunciado por manter em sua casa uma arma de fogo, acessório e munição de uso proibido ou restrito. Ele guardava uma pistola Bersa, modelo TPR-9 calibre 9mm, com mira ótica e carregador. Segundo o MP-RJ, o acusado não tinha autorização legal para portar a arma, cujo número de série fora raspado. Peritos conseguiram identificar esse número por meio de procedimentos em laboratório. Por essa conduta, Flávio vai responder por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, punido com pena de três a seis anos de prisão.

Apesar da denúncia, a investigação pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) continua, ainda sob sigilo. A participação da própria Flordelis não está descartada pela Polícia Civil, que acredita em motivação financeira para a prática do crime.

Segundo o jornal “O Globo”, em depoimento à DHNSG, em 24 de julho, a mãe de Anderson, Maria Edna do Carmo, contou ter ouvido boatos de que seu filho vivia um romance com uma filha biológica de Flordelis. Antes de se casar com a parlamentar, o pastor já havia namorado a jovem, disse Maria Edna, segundo o jornal.

A mãe do pastor afirmou ainda que Flordelis havia mudado o conteúdo de suas pregações e vinha repetindo que “o diabo havia entrado em sua família”. Maria Edna disse que conhece Flordelis desde antes da gravidez de Anderson e que, ainda adolescente, Flordelis acompanhou o nascimento do futuro marido. Ela é 14 anos mais velha que ele.

Outro lado

O advogado Anderson Rollemberg, que defende Flavio, nega que seu cliente tenha confessado o crime, como tinha sido divulgado inicialmente. O Estado não conseguiu localizar a defesa de Lucas. A deputada informou que não vai se manifestar sobre a denúncia nem sobre outros aspectos do crime. Logo após a morte do marido, a parlamentar disse não acreditar que seus filhos sejam culpados. Em entrevista coletiva concedida em 25 de junho, porém, afirmou que, se eles cometeram o crime, terão que ser punidos por isso. 

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