MP denuncia investigadores do Deic por extorsão

O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou nesta quarta-feira quatro investigadores da 1ª Delegacia de Roubos e Extorsões do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), um informante e um advogado, sob a acusação de extorsão. A denúncia diz que eles exigiram US$ 200 mil para não prender dois donos de postos de gasolina suspeitos de participar de um roubo no Condomínio Correggio, em São Paulo.A acusação foi assinada por quatro promotores do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep). Segundo ela, os investigadores Silvio Toyama, Renzo Borges Angerami, Waldir Martins Olivares e Jorge João dos Santos, todos do Deic, auxiliados por Sidney Bacciotti Sobrinho e pelo advogado Isaac Minichillo de Araújo, ameaçaram prender Flávio Silvério Siqueira, o Neno, e Sérgio Ricardo dos Santos Cerqueira, o Da Lua, caso eles não pagassem o exigido.Primeiro, queriam R$ 200 mil, mas quando descobriram que Neno havia vendido um posto de gasolina por R$ 600 mil, resolveram aumentar a exigência para US$ 200 mil. O dinheiro não chegou a ser pago. Neno e Da Lua, que têm antecedentes criminais, gravaram a conversa com os policiais e entregaram um CD à Justiça. Com os depoimentos e o CD, a promotoria resolveu fazer a denúncia.O Deic informou que investiga o envolvimento de Neno e de Da Lua em roubos a condomínio, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O inquérito está na Delegacia de Roubos e Extorsões. Os acusados, segundo o Deic, já foram alvos de outros inquéritos policiais e, segundo as investigações, financiam ações do PCC, como compra de armas e telefones celulares.LaranjasUm dos integrantes do bando confessou que os dois participaram do financiamento de roubos a condomínios na capital. ´Depois do roubo, negociariam os objetos roubados e aplicariam esse dinheiro na compra de postos de gasolina que seriam registrados em nome de laranjas´, informou o Deic. O grupo comprou 19 postos de gasolina. Ao todo, cinco integrantes do bando estão presos.O advogado, que tem entre seus clientes parte dos ladrões do Banco Central de Fortaleza, afirmou que os policiais não exigiram dinheiro de Neno em sua presença. ´É mentira´, disse. A Corregedoria da Polícia Civil abriu processo administrativo para apurar o caso.Além de requerer à Justiça que processe criminalmente os investigadores envolvidos na denúncia, o MPE pediu o afastamento dos policiais de suas funções, assim como a quebra de sigilo bancário e fiscal e o indiciamento de todos os denunciados.(Colaborou Rita Magalhães)

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