MP do Rio investiga esquema de lavagem de dinheiro de milícias

Levantamento patrimonial de milicianos, seus parentes e laranjas está sendo feito; quadrilha conhecida como 'Liga da Justiça" fatura R$ 2 milhões por mês

Alfredo Junqueira, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2011 | 18h47

RIO - O Ministério Público do Estado do Rio vai desencadear operações para quebrar o esquema de lavagem de dinheiro dos grupos milicianos que atuam no Estado. Apesar da prisão dos principais líderes das quadrilhas de paramilitares, as atividades de controle de vans, venda ilegal de gás, gatonet (sinal pirata de TV a cabo) e cobrança extorsiva de taxas de proteção ainda rendem milhões de reais por mês para esses grupos.

Levantamento patrimonial de milicianos, seus parentes e laranjas está sendo feito. O MP ainda trabalha na quebra de sigilo bancário e na análise dos dados de movimentação financeira dos paramilitares para, nas palavras do subprocurador geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira, "fechar o quebra-cabeça" do funcionamento dessas quadrilhas.

 

O objetivo é identificar o caminho do dinheiro das milícias. "Esse é o segundo momento do trabalho de investigação", explicou Moreira. "Além da questão paramilitar, esses grupos funcionam como empresas ilegais que exploram serviços que poderia ser explorados de maneira lícita se houvesse interesse", afirmou o subprocurador geral.

 

De acordo com as investigações preliminares do MP fluminense, os esquemas de lavagem das milícias são, muitas vezes, rudimentares. Eles se utilizam, principalmente, de associações de moradores, centros sociais e laranjas.

 

Não há dados oficiais sobre o faturamento das milícias que atuam no Rio. De acordo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, que investigou as atividades dessas quadrilhas, somente o grupo conhecido como "Liga da Justiça", considerado o maior que já atuou no Estado, lucrava em torno de R$ 2 milhões por mês.

 

Mesmo com a prisão de seus líderes, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM) e o ex-vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB), irmãos e ex-inspetores da Polícia Civil, estima-se que o faturamento do grupo não tenha sofrido redução substancial. Integrantes do "Liga da Justiça" ainda dominam regiões e comunidades em Campo Grande, na zona oeste da capital.

 

Aliados de Deco: Mais aliados do vereador Luiz André Ferreira da Silva, o Deco (ex-PR), preso na quarta-feira, 13, acusado de chefiar uma milícia que atua em 13 comunidades carentes de Jacarepaguá, continuam se apresentando à polícia.

 

Na noite de quinta-feira, Paulo Ferreira Júnior, o Paulinho do Gás, entregou-se na sede da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco). Ele foi escoltado pelo sargento da PM Marcos Vieira Souza, o Falcon, que é diretor de carnaval da Portela, e por mais três homens. Todos estavam fortemente armados. Policiais da Corregedoria da Polícia Civil, cuja sede fica no mesmo prédio da Draco, desconfiaram da movimentação e decidiram revistar o carro em que estava e escolta de Paulinho do Gás. Foram encontradas cinco armas, R$ 33 mil em dinheiro e munição para fuzil. Todos foram presos.

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