MP do Rio vai investigar causas de incêndio na Cidade do Samba

Inquérito irá apurar se desastre foi provocado por falha no sistema de prevenção dos barracões, além de identificar responsáveis pelo episódio

Pedro Dantas e Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2011 | 19h01

RIO - O Ministério Público (MP) do Rio vai investigar as causas do incêndio que destruiu os barracões de três escolas na Cidade do Samba, na zona portuária da capital fluminense. O inquérito instaurado pelo promotor Rogério Pacheco Alves vai analisar todos os laudos de vistorias do Corpo de Bombeiros, da polícia e da Defesa Civil para apurar se o desastre foi provocado por uma falha no sistema de prevenção dos barracões.

 

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De acordo com o requerimento, o objetivo da investigação é identificar os responsáveis pelo episódio, que provocou danos ao patrimônio público e que poderia causar prejuízos ao carnaval carioca. O promotor estabeleceu um prazo de 10 dias para o envio dos laudos ao MP e solicitou um depoimento do Coronel Délio Neri e Silva, diretor-geral de Serviços Técnicos do Corpo de Bombeiros.

 

Funcionários de barracões que funcionam na Cidade do Samba relataram que o sistema de chuveiros para extinção de incêndio (sprinklers) era falho e que não havia pressão suficiente para que o equipamento pudesse controlar o fogo.

 

O diretor de Manutenção da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Edson Marcos, no entanto, negou qualquer falha no sistema de prevenção de incêndio da Cidade do Samba e disse que a quantidade de material estocado e o vento foram os responsáveis pela rápida propagação do fogo. Segundo ele, o foco inicial foi no barracão da Ilha do Governador.

 

"A propagação rápida ocorreu em função do vento, por isto o sistema não foi tão eficaz, mas funcionou", disse. Ele afirmou que todos os brigadistas de incêndio dos barracões combateram as chamas desde o início.

 

O diretor de Carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, disse que apenas o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli vai definir o que provocou o fogo. A avaliação fica pronta em duas semanas. "Esta coisa de que o sprinkler não funcionou direito é conversa fiada. Sobre as causas, nós temos que esperar o laudo. O resto é suposição", disse. No entanto, ele reconheceu que a Cidade do Samba precisa de um técnico em segurança do trabalho.

 

A Liesa não arcará com a reconstrução dos barracões afetados. O contrato entre a Liga, a Prefeitura do Rio e a construtora Delta previa que em caso de incêndios, a construtora iria reerguer os prédios. Nesta terça-feira, 8, após uma vistoria prévia nos três galpões atingidos pelo incêndio na Cidade do Samba, o engenheiro representante da Defesa Civil municipal, Luiz André Moreira Alves, informou que toda a estrutura interna desses imóveis será demolida, do segundo ao quarto pavimento.

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