MP faz cerco à pedofilia e alvos fogem

Antes das 7 horas de ontem, os moradores de Catanduva, no interior paulista, notaram comboios de viaturas trafegando em alta velocidade por diversos bairros. A movimentação fez, pela primeira vez desde o surgimento das denúncias de uma rede de pedofilia na cidade, há dois meses, os moradores se manifestarem sobre o assunto. Nove grupos, com 40 policiais militares, 20 promotores e 20 policiais civis, que cumpriam quatro mandados de prisão e 20 de busca e apreensão, não discriminaram ricos de pobres.Agentes fecharam ruas e quadras e invadiram barracos e mansões à procura de provas e suspeitos. A Operação Fênix resultou em duas prisões. Mesmo assim, o médico Wagner Rodrigo Brida Gonçalves e o empresário José Emmanoel Volpon Diogo, apontados pela polícia como a "banda rica" da organização criminosa, fugiram do cerco."O médico estava aqui até ontem. Como ele pôde escapar?", questionou um dos agentes, para quem a fuga ocorreu por vazamento das informações. "Ficamos desde quinta esperando a Justiça conceder os mandados." As prisões, segundo o promotor João Santa Terra Junior, de Rio Preto, foram motivadas por "fatos novos". O Grupo de Atuação Especial Regional de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) criou na semana passada uma força-tarefa para auxiliar nas investigações, atendendo a pedido dos promotores André Luiz e Noemi Correa, de Catanduva. A operação ainda acolheu o desejo de ações da CPI da Pedofilia.Foram detidos ontem o operário Eduardo Augusto Aquino, de 19 anos, e o comerciante André Luiz Cano Centurion, de 27, respectivamente, em Catanduva e em São Paulo. O primeiro foi preso numa usina de álcool, quando entrava para trabalhar e é acusado pelas crianças de levá-las para orgias na mansão de Gonçalves. Sua família não quis comentar o caso.Já Centurion é acusado de ser amigo de William Souza, sobrinho do borracheiro José Barra de Mello. Souza está preso por ter, juntamente com o tio, participado de atentado violento contra as crianças. Centurion aparece numa foto com Souza e também foi reconhecido por uma criança. Seus amigos, no entanto, alegam que o preso há mais de dois anos não vai a Catanduva.A Fênix cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em Rio Preto, Catanduva, Bauru e São Paulo. Não foram dados detalhes do que se procurava. Os dois suspeitos foragidos podem ter saído do País. Na casa do médico, os agentes foram obrigados a pular o muro para entrar. Depois de duas horas, saíram da casa com computador, fitas VHS, fotos e documentos que, segundo os promotores, poderão comprovar a participação dele na rede de pedofilia. No apartamento e na casa da mãe do empresário, os promotores aprenderam papéis e computadores. Na casa, foi preciso chamar um chaveiro para abrir a porta. Não havia ninguém na residência.

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