Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

MP faz operação contra líderes do PCC no Rio Grande do Norte

Juízo Final foca principalmente na atuação da facção dentro do sistema penitenciário potiguar; investigações apontam movimentação de R$ 6 milhões para tráfico e assaltos a caixas eletrônicos

Ricardo Araújo, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2017 | 13h27

NATAL - O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta sexta-feira, 16, uma operação contra integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. A Operação Juízo Final, que teve apoio da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal, foca principalmente na atuação da facção dentro do sistema penitenciário potiguar e é resultado de mais de dois anos de investigação. 

Segundo as investigações, os líderes da facção movimentaram no Estado, em dois anos, aproximadamente R$ 6 milhões. O dinheiro, de acordo com os investigadores, servia para operacionalizar o tráfico de drogas, financiar a compra de artefatos usados em roubos de veículos, estouros de caixas eletrônicos, homicídios e na estruturação da facção. A força-tarefa cumpre 129 mandados de busca e apreensão,  21 mandados de prisão e 24 conduções coercitivas em 13 unidades prisionais do Rio Grande do Norte, no Presídio Federal de Porto Velho e em 18 cidades potiguares.

De acordo com o MPRN, os investigados "comandam o tráfico de drogas de dentro dos presídios apresentando uma área de atuação em praticamente todo o sistema carcerário potiguar e mantendo articulações com integrantes da investigada facção (PCC) em outros Estados do Brasil".

Documentos

Durante a investigação, foram apreendidos cadernos com a relação dos membros do Primeiro Comando da Capital no Estado potiguar, além do número de identificação, apelido, data de batismo na organização criminosa, relação de dívidas e padrinho.

Também foram apreendidos documentos bancários que comprovam a movimentação financeira dos envolvidos. As investigações apontam que os traficantes e demais membros do PCC mantêm "um esquema familiar" que usava contas bancárias fornecidas por mulheres de presos ligados à facção para a movimentação  do dinheiro oriundo do tráfico e explosões a caixas eletrônicos. Pelo menos 184 contas foram investigadas a partir de autorização judicial. Em uma única conta analisada pelos promotores foi identificada a passagem de R$ 1,3 milhão. 

Foram encaminhadas ao Poder Judiciário 26 denúncias contra os alvos da Operação Juízo Final. Os acusados deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. De acordo com o MPRN, o número de denúncias poderá aumentar conforme o desdobramento da operação.

Multa

O Ministério Público do Rio Grande do Norte requereu, ainda, à Justiça, o acesso aos dados criptografados pelo aplicativo de conversas Whatsapp. Apesar das ordens judiciais para disponibilização das informações solicitadas, a empresa não repassou os dados e, por isso, foi multada em R$ 15 milhões.

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