MP investiga sumiço de órgãos de estudante em MG

O Ministério Público em Minas Gerais começou a investigar hoje o desaparecimento dos órgãos da universitária Thaís Leviane Braga, de 21 anos, morta por traumatismo craniano no dia 6, após um acidente de moto em Belo Horizonte. A estudante, que cursava Farmácia na Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG), foi socorrida no Hospital João XXIII e seu corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para necrópsia, como é rotina em casos de "morte violenta".Em seguida, foi levado ao serviço funerário da Santa Casa de Misericórdia. Os parentes não tiveram acesso a Thaís e, depois de perceber marcas estranhas no corpo da estudante e receber telefonemas de um desconhecido, avisando a família do falecimento e tentando intermediar os serviços, pediram a exumação do cadáver à Justiça. Seis dias depois peritos do Instituto de Criminalística constataram que Thaís estava sem os órgãos internos e sem a massa encefálica.Em vez das vísceras, havia serragem embebida em formol - método utilizado em embalsamento de cadáveres, procedimento não autorizado pela família. "Além disso, Thaís não era doadora de órgãos e ninguém nos consultou para saber se podiam fazer o que fizeram", disse, hoje, o tio da estudante, Mozair Braga.De acordo com o procurador Afonso Henrique de Miranda Teixeira, responsável pela investigação do MP, a direção do João XXIII e do IML garantem que o corpo saiu dos dois locais intacto enquanto a funerária da Santa Casa sustenta que já o recebeu sem os órgãos. Uma segunda funerária, a Bonfim, chegou a ser contratada para cuidar do corpo, mas o acordo foi cancelado pelos familiares porque a seguradora de Thaís pagaria as despesas na Santa Casa.Há suspeitas de que os órgãos possam ter sido retirados para serem vendidos a faculdades de medicina. A participação da funerária Bonfim não está descartada, embora não haja indícios de que a empresa teve acesso ao corpo. A possibilidade de que as vísceras tenham sido destinadas a transplantes foi eliminada, em razão do tempo que teria transcorrido entre a morte cerebral da estudante e sua remoção do hospital.Há cerca de dois meses, o MP apontou a existência de uma quadrilha que estaria traficando cadáveres e órgãos retirados de vítimas de acidentes e crimes de IMLs da região do Vale do Aço, em Minas, sem consentimento dos parentes. O material estaria sendo vendido para pelo menos uma faculdade de Medicina, a da Universidade do Vale do Aço (Univaço), que o utilizaria em aulas de anatomia. Doze dirigentes e funcionários da Univaço e policiais civis lotados em IMLs da região foram denunciados criminalmente.

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