MP já sabe quem abriu porta de cela de internos da Febem

O Ministério Público Estadual (MPE) informou nesta segunda-feira que já identificou os dois monitores da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) que foram flagrados no dia 12 de fevereiro abrindo a porta de uma das celas da Unidade 31 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, supostamente para incentivar um motim.A perícia que está sendo realizada por técnicos do MPE apurou que funcionários chegavam a ter os salários triplicados por causa das horas extras. Nesta segunda, o Sindicato dos Funcionários da Febem contestou a acusação dos promotores e desafiou o MPE a mostrar a íntegra da fita, que, segundo o presidente Antônio Gilberto da Silva, foi editada e divulgada no dia 24 para indispor a opinião pública contra a categoria.Os promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) vão começar a interrogar nesta semana os dez funcionários suspeitos de integrar uma organização criminosa que incita motins. Segundo o promotor Roberto Porto, do Gaeco, os dois funcionários que foram filmados pelo circuito interno de TV da Febem abrindo uma das celas estão entre os dez suspeitos.A perícia do MPE que analisa os vencimentos dos servidores ainda não foi concluída, o que deve ocorrer na próxima quarta-feira. "Encerrada a perícia, vamos começar a ouvir os suspeitos", disse Porto.Para o presidente do sindicato, os funcionários estão sendo usados como "bodes expiatórios" pela diretoria da Febem e pelo MPE. "Os monitores estavam abrindo a porta para os internos usarem o banheiro, já que o da cela deles estava quebrado." Segundo Silva, os internos teriam confirmado a versão dos monitores.Adolescentes confirmaram aos promotores que funcionários facilitam motins, entregando chaves das celas, armas e drogas.Silva nega ainda que os funcionários tenham interesse nas rebeliões para aumentar os salários com horas extras. Essa era uma suspeita antiga dos promotores da Infância e Juventude, que pediram a entrada do Gaeco no caso. "Os funcionários não fazem hora extra porque querem. Isso é determinado pela diretoria da Febem, sob pena de demissão", afirmou.Na gestão do atual secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, na presidência da Febem, as horas extras foram, segundo funcionários, liberadas "extra-oficialmente" para que a Febem saísse do noticiário. De fato, foram registradas poucas rebeliões de adolescentes naquele período.O sindicato promete pedir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Assembléia Legislativa para investigar a Febem. Eles marcaram para o dia 27 uma manifestação na frente da Assembléia para protestar contra supostas irregularidades na instituição.Prometem iniciar, no dia seguinte, uma greve geral no sistema, caso não sejam atendidos. A Febem informou que só vai comentar o assunto após ter acesso oficial aos documentos apresentados pelo sindicato.Enquanto a direção do sindicato negava as acusações contra a categoria, a Unidade 30 de Franco da Rocha foi palco, na manhã desta segunda-feira, de mais uma fuga de menores - a nona desde o início do ano, além de mais de 17 motins.Dezoito adolescentes que faziam limpeza nos corredores fugiram pela porta da frente. Até as 19 horas, 16 haviam sido recapturados. Entre eles, W.P.L., o Edinho, irmão do seqüestrador Wanderson de Paula Lima, o Andinho, acusado de matar o prefeito de Campinas, Toninho do PT.

Agencia Estado,

10 de março de 2003 | 21h16

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