MP manda polícia reabrir caso Celso Daniel

O Ministério Público Estadual determinou nesta segunda-feira a reabertura das investigações sobre o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), ocorrido em 20 de janeiro. A medida foi tomada com base no depoimento do irmão do prefeito, João Francisco Daniel, que sustentou a existência de um esquema de extorsão na Prefeitura de Santo André e de que o crime teria sido "queima de arquivo". Esse depoimento foi prestado há mais de dois meses. O promotor Alexandre Ciscato Ferreira, de Itapecerica da Serra, responsável pelo processo contra os bandidos que confessaram o crime como um seqüestro comum, enviou ofício ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para "cabal elucidação dos fatos e/ou de outros partícipes". Até o depoimento prestado pelo estelionatário e seqüestrador Dionísio de Aquino Severo - que foi resgatado de uma penitenciária em Guarulhos de helicóptero, em janeiro - será apurado. Severo, assassinado na cadeia por um rival do Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou "que achava que conhecia" o empresário Sérgio Gomes da Silva, um dos suspeitos de envolvimento no esquema de propina. Silva era amigo do prefeito e estava com ele na noite do seqüestro. O delegado responsável por essa investigação é Romeu Tuma Júnior, afastado da polícia para concorrer a cadeira de deputado estadual pelo PPS. Incentivo A decisão de reabrir o caso foi tomada pelo promotor de Itapecerica um mês após o depoimento prestado por João Francisco. O Estado apurou que a retomada do caso foi incentivada pelo procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, nomeado pelo governo estadual. O promotor Arual Martins, do Centro de Apoio das Promotorias Criminais, disse que a reabertura do caso é uma questão técnica. "O azar do caso é que aconteceu em 2002, um ano eleitoral", afirmou. O promotor Rodrigo Canellas, também do centro de apoio, garante que a medida não é fruto de qualquer tipo de pressão. "Isso nunca existiu. O que nos interessa é a busca da verdade." A possibilidade de crime político foi exaustivamente investigada pelo DHPP, pelo Departamento de Investigações sobre Crime Organizado e até pela Polícia Federal. O PT acompanhou o inquérito desde o início, por meio do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalg, que também ficou convencido de que se tratava de crime comum. Os seis homens presos afirmaram na presença de promotores e advogados que escolheram o alvo para um seqüestro pelo carro importado - que era de Silva - e mataram a vítima quando descobriram que se tratava do prefeito de Santo André. Por isso, estão sujeitos a pena mínima de 25 anos. Se tivessem sido executores de uma "queima de arquivo" a pena mínima seria de 12 anos. A família de Daniel, no entanto, não acredita nessa versão.

Agencia Estado,

05 de agosto de 2002 | 22h03

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