MP não requisitou fita de parte da ação PM na Castelinho

O promotor criminal Amaury Arfelli, de Itu, afirmou nesta quinta-feira que uma das fitas contendo parte da operação da Polícia Militar ao ônibus dos supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em março, na rodovia de acesso a Sorocaba, foi reutilizada pela concessionária Viaoeste, depois de uma semana. A ação resultou na morte de 12 bandidos e, segundo a denúncia de um preso, teria sido preparada pela polícia para melhorar a imagem do governo. "Na época não sabíamos dessa fita", disse Arfelli. Ele também vai pedir novas explicações à Viaoeste. A filmagem foi feita a partir da câmera instalada sobre uma torre de mais de 15 metros e teria colhido imagens da chegada do comboio do PCC ao pedágio, segundo o promotor. Como não foi requisitada nos sete dias seguintes à ação, a fita foi reutilizada e as cenas gravadas se perderam. "Na época, as atenções voltaram-se para a fita que filmou, por meio de operação manual, parte da ação", disse. A câmera, no entanto, só registrou o fim da operação, depois que o ônibus estava parado. Nessa fita, que está anexada ao inquérito, aparecem policiais correndo e imagens do ônibus destruído no tiroteio. O promotor pediu o hoje a realização de perícia na fita e nas câmeras instaladas no pedágio. O pedido deve ser autorizado pela juíza Maristela Tavares de Oliveira, da 1ª Vara Criminal de Itu. O trabalho será feito pelo Instituto de Criminalística de Sorocaba. Segundo Arfelli, a perícia poderá determinar se houve manipulação, pela polícia, das câmeras instaladas no pedágio da rodovia. Na versão da Viaoeste, a câmera mais elevada estava voltada para a entrada do pedágio. O tiroteio ocorreu no lado oposto. Quando o operador percebeu que os veículos retornavam na contramão, em razão da ação policial, ele virou o equipamento para o outro lado e iniciou a filmagem. Apenas essa fita, que gravou o final da ação, foi entregue à Justiça. A outra, que teria filmado a chegada do ônibus, foi levada pela concessionária e desgravada depois de uma semana. O promotor integra a equipe do Ministério Público que apura possíveis excessos cometidos pela polícia na ação. Depois da denúncia do preso R.C.C. de que a ação teria sido armada pelo Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi) com o suposto conhecimento do secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, os promotores decidiram ampliar o inquérito. Foi requerida também nova perícia nas armas apreendidas com os presos para determinar se alguma delas tinha balas de festim. O inquérito deve ser concluído até 24 de setembro.

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