MP pede ao IML para reter corpo de assassino de jovens de Luziânia

Liberação só deve acontecer após ser concluída investigação sobre morte do pedreiro que matou seis e foi encontrado morto em cela no domingo; nesta segunda, perícia do IML confirmou suicídio

Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo

19 de abril de 2010 | 19h35

BRASÍLIA - O Ministério Público determinou ao Instituto Médico Legal (IML) de Goiás que não libere o corpo do pedreiro Adimar Jesus da Silva até que seja concluída a investigação sobre as circunstâncias de sua morte. Adimar, que afirmara ter matado seis jovens na cidade de Luziânia, foi encontrado morto no domingo dentro da cela onde estava detido, numa delegacia de Goiânia. A Polícia Civil afirma que ele se suicidou.

 

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A versão do suicídio foi referendada pelo IML goiano, que nesta segunda-feira, 19, informou ter concluído todos os exames cadavéricos no corpo de Adimar. Os laudos devem estar prontos em dez dias. "Primeiro queremos ver esses laudos para saber se vai ser preciso fazer algum exame adicional e, só depois, o corpo poderá ser liberado", disse o promotor Ricardo Rangel, do Ministério Público Estadual de Goiás.

 

Rangel é responsável pelo inquérito que apura os assassinatos em série supostamente cometidos por Adimar. Apesar da medida, o promotor afirma que até agora não há razões para duvidar da versão do suicídio. "Estamos fazendo isso preventivamente", disse. A determinação do MP foi expedida assim que os promotores souberam, nesta segunda pela manhã, que o IML havia liberado o corpo de Adimar. A família do pedreiro já tinha começado a preparar o enterro, em Serra Dourada, interior da Bahia.

 

Embora os laudos não tenham ficado prontos, nesta segunda os peritos anteciparam a conclusão dos exames. Afirmaram que Adimar suicidou-se. Os legistas descartaram ingestão de produtos tóxicos. No domingo, a Polícia Civil de Goiás anunciou que Adimar se enforcou com uma corda improvisada com tiras do colchão da cela.

 

Nesta segunda, o promotor Ricardo Rangel criticou a atuação dos órgãos de segurança pública de Goiás no caso. Para ele, a Polícia Civil, encarregada da custódia do pedreiro, não poderia ter permitido que Adimar se matasse. "É inadmissível o que aconteceu", afirmou.

 

"A morte dele traz um prejuízo irreparável para a investigação", disse o promotor, referindo-se ao inquérito que apura a morte dos seis garotos de Luziânia. "Os exames de DNA devem ficar prontos nos próximos dias e, por hipótese, vamos considerar que algum dos corpos não seja de nenhum dos garotos desaparecidos. Se isso acontecer, quem vai esclarecer? A investigação sobre eventual participação de terceiros nos crimes também está prejudicada agora", afirmou.

 

O promotor disse que, ao final da investigação, ainda que seja comprovado o suicídio, o Ministério Público poderá processar as autoridades que deveriam ter zelado pela integridade física do preso.

 

A confissão do pedreiro Adimar, preso no último dia 10, pôs fim a mais de três meses de mistério em torno do desaparecimento dos seis garotos de Luziânia, cidade goiana situada a 58 quilômetros de Brasília. Os meninos, com idades entre 13 e 19 anos e moradores de um mesmo bairro, na periferia da cidade, sumiram no final do ano passado.

 

Ainda nas primeiras semanas, a Polícia Civil de Goiás chegou a considerar a hipótese de terem sido sequestrados para trabalhar como escravos em fazendas da região. Com a demora na solução do caso, a Polícia Federal assumiu o caso.

 

Ao ser preso, Adimar disse ter matado os meninos e indicou onde estavam os corpos. O pedreiro afirmou que cometeu o primeiro crime no final de 2009, logo após deixar o Presídio da Papuda, em Brasília, onde passou quatro anos preso por pedofilia. Condenado a dez anos de reclusão, o pedreiro fora libertado antes do tempo porque a Justiça considerou que ele tinha bom comportamento na cadeia. Pelos assassinatos dos seis garotos de Luziânia, Adimar poderia ser condenado a mais de 100 anos de prisão.

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