MP pede prisão de deputado do Pará

Político é acusado por menina de abuso sexual, tortura e cárcere privado

Carlos Mendes, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

O Ministério Público do Pará pediu ontem o indiciamento por estupro e atentado violento ao pudor, além da prisão preventiva, do deputado estadual Luiz Sefer, acusado por uma menina de abuso sexual, tortura e cárcere privado durante quatro anos em que ela morou nas casa dele. "O deputado tem poder político e econômico e pode constranger testemunhas", disse o procurador Ricardo Albuquerque, que assina o pedido. A decisão de decretar a prisão do deputado está nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rômulo Nunes.Ele tem prazo de dez dias para se manifestar. Como tem imunidade parlamentar, Sefer só pode ser processado pelo TJ.O advogado Osvaldo Serrão, defensor do deputado, entende que não há nenhum fato concreto que indique que Sefer representaria perigo à ordem pública. A Assembleia Legislativa deve se reunir na próxima semana e não está descartada a abertura de processo para a cassação do mandato de Sefer. A CPI ouviu ontem seis pessoas, entre elas a mãe de uma criança que acusa o motorista João Carlos Carepa, o Caíca, irmão da governadora paraense Ana Júlia Carepa, de abuso sexual. Protegida por um capuz para não ser identificada, ela chorou várias vezes. Prima da mulher de Carepa, contou aos senadores que foram quatro os abusos praticados contra a filha, que aconteciam desde quando a adolescente, de 14 anos, tinha 11. "Minha filha contou para o pai dela em 22 de setembro. Desde esse dia minha vida não é mais a mesma. É difícil para uma mãe carregar isso", resumiu. Carepa, que tem contra ele um pedido de prisão preventiva, ainda não julgado pela justiça, compareceu à CPI, mas se recusou a prestar declarações. "Prefiro ficar calado", respondia a cada pergunta feita pelos senadores. A delegada Socorro Maciel informou que nos últimos quatro anos foram registrados no Pará 3.558 casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Alguns casos citados deixaram os senadores revoltados. Um major da PM de Souré, no Marajó, responde a processo. O vereador Bob Terra, de Portel, também no Marajó, foi condenado a 12 anos de prisão no fim do ano passado. Ele tentou atropelar a menina que o denunciou, atirando seu carro contra a criança, mas atingiu uma irmã dela, de 6 anos, que teve várias fraturas.

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