MP pede suspensão da distribuição de água em Colatina (ES)

Moradores relataram gosto amargo e forte odor; segundo o MP, laudos apontam metais pesados na água

LUCIANA ALMEIDA, Especial para O Estado

01 Dezembro 2015 | 22h14

VITÓRIA - Os ministérios públicos Federal, Estadual e do Trabalho, ajuizaram uma ação civil pública pedindo a proibição da captação de água no Rio Doce, na cidade de Colatina, noroeste do Espírito Santo. A intenção é garantir a saúde e a segurança sanitária da população. 

Isso aconteceu por conta da suspeita de distribuição de água imprópria para consumo, em decorrência do rompimento da barragem da empresa Samarco, na cidade de Mariana, em Minas Gerais. A decisão foi anunciada no início da noite desta terça.

De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), alguns laudos apontaram a presença de arsênio, mercúrio, zinco, cádmio, manganês e chumbo na água, em quantidades superiores às estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Moradores da cidade também comentaram que o sabor da água era amargo, e havia odor muito forte que não se sabia se era de produtos para tratamento da água ou decorrente da presença desses metais.

 

A dona de casa Elisabeth Alves dos Santos, de 47 anos, comentou que sentiu náuseas após consumir a água no último final de semana. "Fiquei com enjoo depois que bebi desta água. Quando coloquei no copo, senti um cheiro muito forte mas não sei identificar o que era. É um absurdo distribuírem uma água dessas para nós", comentou. 

Segundo a ação, o município e o Serviço Colatinense de Meio Ambiente (Sanear) deverão apresentar um plano alternativo de captação e desenvolver projeto de estações de tratamento de água adequado à nova realidade do Rio Doce. 

Enquanto isso não acontece, a população deverá ser abastecida por meio de carros-pipa com água captada de lagoas. A reportagem tentou contato com a prefeitura da cidade para saber se a decisão foi acatada, mas as ligações não foram atendidas. 

 

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