MP pedirá quebra de sigilo dos 13 envolvidos

Promotor pretende rastrear propina; ilegais davam até ?presentes? a fiscais

Bruno Tavares e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

13 de julho de 2008 | 00h00

O Ministério Público Estadual de São Paulo vai pedir à Justiça a quebra do sigilo bancário e fiscal dos 13 envolvidos no suposto esquema de propinas de camelôs ilegais que atuam na região do Brás, zona leste de São Paulo. O objetivo é apurar o caminho do dinheiro obtido com a extorsão dos cerca de 7 mil ambulantes da região.Além de verificar para onde foi o dinheiro das extorsões, segundo o promotor José carlos Balt, a quebra do sigilo deve servir para apontar outras pessoas envolvidas no esquema. "Esse período de prisão temporária é importante para que a polícia corra atrás do máximo possível de provas, para que elas não se percam", disse.Todos os cinco ambulantes presos anteontem na Operação O Rapa confirmaram, em depoimento a policiais da Unidade de Inteligência Policial (UIP), a existência do suposto esquema de propinas. Nos depoimentos, os ambulantes disseram também que recolhiam propina de outros ilegais a mando dos agentes fiscais, por medo de não poderem mais trabalhar.RECUSA A DEPOROs ambulantes que prestaram depoimento eram integrantes da quadrilha liderada pelo agente fiscal Edson Alves Mosquera. Tanto Mosquera, quanto os outros integrantes da quadrilha - os fiscais Ronaldo Correa dos Santos e Nilson Alves de Abreu - recusaram-se a prestar depoimento, alegando que só falariam em juízo.O teor dos depoimentos dos cinco ambulantes também indica a existência de relação promíscua entre camelôs ilegais e agentes fiscais - além do pagamento de um "cafezinho" (a propina, que variava de R$ 10 a R$ 20 por semana), era comum que os ambulantes oferecessem "presentes" aos fiscais, até mesmo produtos piratas.A Operação O Rapa foi desencadeada na tarde de anteontem, após cinco meses de investigações. Eram dois esquemas: a quadrilha liderada por Mosquera exigia propina de cerca de 7 mil ambulantes que atuam durante o dia no Brás. O segundo grupo, chefiado pelo assessor político da Subprefeitura da Mooca Marcelo Eivazian, tinha como alvo os cerca de 500 trailers de alimentos do bairro. Juntos, os dois esquemas de corrupção movimentavam mais de R$ 1 milhão por mês.Levados ao 91º Distrito Policial, os integrantes da quadrilha liderada pelo assessor político se recusaram a prestar depoimento. Além de Marcelo, o chefe da unidade técnica de fiscalização da Subprefeitura da Mooca exonerado anteontem, Felipe Eivazian, e o advogado Leandro Giannasi Severino Ferreira, apontado como responsável por recolher o dinheiro da propina, também disseram que só vão falar em juízo.FORAGIDOSO delegado Luís Augusto Storni afirmou anteontem que o subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak, será convocado a prestar depoimento nesta semana.Os outros dois ambulantes que tiveram a prisão decretada pela Justiça na semana passada, Juvemar Pinto dos Santos e Ademir Batista, continuam foragidos.

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