MP pedirá quebra de sigilos de juiz acusado de beneficiar Naya

O Ministério Público pedirá a quebra dos sigilos telefônico, fiscal e bancário do juiz Alexander Macedo. O objetivo é conseguir novos indícios da ligação entre o magistrado e o ex-deputado Sérgio Naya. Foi Macedo quem liberou a venda de bens de Naya que estavam bloqueados como garantia da indenização devida às vítimas do desabamento do edifício Palace II.Na semana passada, vieram a público anotações apreendidas com Naya pela Polícia Federal em Porto Alegre, quando o empresário tentava embarcar para o Uruguai. Os papéis indicam que o ex-deputado mantinha estreita relação com Macedo e era informado com antecedência sobre decisões que o juiz tomaria. Macedo pode ter de responder por crimes contra a administração pública, como corrupção passiva e concussão (corrupção praticada por funcionário público).Com base nas mesmas anotações, o promotor Rodrigo Terra, que atua no processo de indenização das vítimas do Palace II, vai pedir que Naya seja investigado pelo crime de ameaça. Numa das agendas do ex-deputado apreendida pela PF consta a inscrição "ameaça morte promotor ? pagou 2" em 21 de fevereiro. O promotor, que está sob proteção policial desde o dia 26 de fevereiro, solicitou uma cópia dos documentos, que pretende encaminhar para a Central de Inquérito do Ministério Público, a fim de que seja aberto mais um inquérito policial contra Naya.O advogado de Naya, Joaquim Flávio Spíndula, negou que seu cliente tenha ameaçado Terra. "Não vi a agenda e não sei o que está escrito ali, mas garanto que não há essa sugestão de ameaça, como o promotor quer fazer crer. Essa nunca foi a conduta do meu cliente e eu não advogo para bandido", afirmou. Para Spíndula, Terra estaria tentando "criar fatos" para dificultar a libertação de Naya, preso por falsificação ideológica e de documento público no último dia 15, quando tentava deixar o País. A 5.ª CâmaraCriminal do Tribunal de Justiça julga nesta terça-feira o mérito do pedido de habeas-corpus impetrado pelo advogado.

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