MP pode encampar pier para construção do Guggenheim no Rio

O procurador-geral do município do Rio de Janeiro, Júlio Horta, disse, nesta segunda-feira, que poderá até encampar o consórcio de empresas que administra o pier da Praça Mauá (centro) para garantir a construção da filial do Museu Guggenheim na cidade."Se tudo mais der errado, a Prefeitura sempre pode recorrer a um último recurso e encampar a concessão do governo federal. Com isso, ela passar a administrar a área e pode construir o quequiser", afirmou o procurador.O terreno onde a Prefeitura do Rio planeja construir o museu pertence à Companhia deDocas, uma empresa do governo federal, mas está cedido a um consórcio de duasempresas privadas - Construtora Floriano e Engenharia do Pavimento S/A.Desde o início do ano, a Prefeitura do Rio tenta negociar um acordo com o governo federal paraerguer a filial do museu nova-iorquino no pier, mas nenhuma resposta foi dada pelaCompanhia de Docas.Horta afirma que espera que o Ministério dos Transportes, que controla a Docas, venha acolaborar com o projeto e veja as vantagens que serão criadas com a construção domuseu.Segundo ele, o grande investimento no museu vai alavancar os preços de outraspropriedades federais na região potuária do Rio, e a União só teria vantagens em aceitara proposta.Nesta quarta-feira, o prefeito Cesar Maia deve anunciar os detalhes finais da negociação daPrefeitura com a Fundação Guggenheim. O prefeito vai passar a semana em Nova Yorkpara reuniões com a direção da fundação, que deve divulgar o resultado de estudo de viabilidade da filial do museu no Rio.Segundo Horta, há 99,9% de chances de oprojeto ser aprovado pelo estudo. A construção do museu deve custar à Prefeitura do Rio algo entre US$ 180 milhões e US$ 200 milhões. Apenas o estudo de viabilidade, já pago,saiu por US$ 2 milhões."Mas será um investimento com retorno, porque, depois que conseguirmos trazer o Guggenheim, vamos conseguir patrocinadores para reconstruirtoda a zona portuária", diz Horta.Geraldo Gayoso, diretor do consórcio Pier Mauá S/A, disse que também tem interessena construção do museu e que está disposto a ceder o terreno, já que as empresasperderiam o pier, mas aumentariam o lucro com o restante da área federal queadministram.Além do pier, o consórcio tem a concessão de galpões e outros terrenos na zona portuária. "Temos todo interesse porque um museu nessa área vai valorizar todo o resto. Vai ser uma âncora. Mas vamos aguardar a proposta da prefeitura", disse.A concessão do governo federal é de 1997 e tem duração de 50 anos. Segundo Gayoso, o consórcio pagou, no ano passado, R$ 450 mil para a Companhia de Docas e isso representou 20% do faturamento.A CPI da Câmara Municipal que investiga irregularidades no contratoentre a prefeitura e a Fundação Guggenheim ouviu nesta segunda-feira o depoimento do secretáriomunicipal de Urbanismo, Alfredo Sirkis. O secretário foi chamado para comentar asobservações, feitas por ele em documento enviado ao prefeito, sobre falhas no contratoinicial.Sirkis disse que todas as falhas apontadas por ele já foram corrigidas. Nopróximo dia 22, será ouvido o secretário de Cultura, Ricardo Macieira. A CPI quer saberpor que o orçamento da Prefeitura não menciona verbas para a construção do museu.O vereador Mario Del Rei (PSB), que preside a CPI, afirma que há várias irregularidades no contrato e existem indícios de que o prefeito está usando dinheiro público sem ter garantias de que conseguirá erguer o museu no Rio.

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