MP quer cassar CRM de médico acusado de pedofilia

O Ministério Público Estadual vai tentar cassar o CRM do pediatra Eugênio Chipkevitch, acusado de pedofilia. O médico já admitiu para a policia que, de fato, é ele quem aparece nas cenas de abuso sexual mostradas por programas de televisão. A polícia e o MPE acreditam que já está configurado o crime de atentado violento ao pudor qualificado. "Vamos acionar o CRM e demais órgãos", afirmou o promotor José Carlos Blat. "Me parece que o registro dele tem de ser cassado." Blat disse não ter dúvidas quanto à existência do crime de atentado violento ao pudor. "É crime hediondíssimo, inafiançável", declarou. "Nós jamais vimos cenas tão gritantes." A mesma perplexidade foi demonstrada pelo delegado titular do 51º DP, no Butantã, Virgílio Guerreiro Neto. "Nós nunca tínhamos nos deparado com nada parecido."Segundo Blat, a perfeição das gravações sugere que elas seriam, ou foram, comercializadas. Ele disse que não está descartada a possibilidade de o médico participar de uma rede internacional de pedofilia. Tudo indica que as cenas foram gravadas numa das salas do consultório, e que a câmera de vídeo não ficava escondida. De acordo com Guerreiro Neto, Chipkevitch disse, quando foi preso, que é o "homem das fitas". Apesar disso, se esquivou de uma série de perguntas. "Ele dizia que precisava ver as fitas", relatou o delegado. A polícia vistoriou a casa e o consultório do pediatra e terapeuta. Segundo o delegado, uma ordem judicial impede que sejam revelados detalhes sobre o que foi apreendido. Ele apenas declarou que a policia tem 35 fitas de vídeo e que foram apreendidas caixas, computadores, agenda e 2 mil fichas de pacientes. A secretária do médico, Regina Soares, prestou depoimento no 51º DP. Segundo Guerreiro Neto, ela trabalha há 18 anos com Chipkevitch, mas nunca percebeu nada de estranho no comportamento do pediatra. Tanto que levou seus dois filhos ao consultório. "Ela também está chocada. Aparentemente, está falando a verdade", contou o delegado. A polícia também está tentando ouvir os adolescentes que iam ao consultório, e seus pais. O delegado disse que está agendando os depoimentos, mas que encontra dificuldades, porque as pessoas têm medo da exposição. O médico permanece no 13º DP, na Casa Verde, e deve prestar depoimento na próxima semana.

Agencia Estado,

22 de março de 2002 | 19h38

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