MP quer inquérito sobre pilhagem de vítimas do acidente da Gol

Documento de vítima foi usado para financiar empréstimo de R$ 20.432 em Brasília

Christiane Samarco, do Estadão,

07 de agosto de 2007 | 13h01

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) mandou abrir inquérito para apurar o uso criminoso de documentos de Maria das Graças Rickli, uma das vítimas do acidente com o Boeing da Gol, que deixou 154 vítimas no dia 29 de setembro de 2006. Exatos nove meses e cinco dias após a morte dela, a Finasa - financeira do Banco Bradesco - financiou irregularmente, em nome da vítima, um automóvel Gol, em Brasília.  O empréstimo foi de R$ 20.432, e a família de Maria das Graças só foi informada da operação fraudulenta há pouco mais de um mês, por conta do atraso no pagamento da primeira parcela do empréstimo. Os documentos pessoais de Maria das Graças sumiram após o acidente. A revelação do episódio, feita pelo Estado no domingo, 5, preocupou parentes de outras vítimas do acidente em várias partes do País. Os familiares receberam os pertences das vítimas, mas muitos documentos não foram entregues. Na maioria dos casos, foram devolvidos apenas documentos sem importância, como cartões de supermercados e de lojas. O promotor Diaulas Costa Ribeiro, do MPDF, quer saber se os falsários usaram os documentos desaparecidos por ocasião do acidente, ou se a fraude foi feita por quadrilhas que costumam agir tomando como base dados constantes de certidões de óbito. Outras investigações O depoimento do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, marcado para quarta-feira, 8, será o ponto de partida da investigação sobre a pilhagem de documentos e objetos de vítimas do acidente com o avião da Gol. O presidente interino da CPI, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse na segunda-feira, 6, que Saito será questionado sobre as denúncias, publicadas pelo Estado.  A reportagem mostrou que o documento de uma vítima chegou a ser usado para obtenção de um financiamento para compra de um carro. Em outro caso chocante, o celular de uma das vítimas foi parar o Rio de Janeiro. O receptor do aparelho ligou para o marido da vítima e informou sobre o roubo.

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