MP quer que SuperVia pague R$ 1 mi por causa de ''chicotadas''

Agentes também são acusados de espancar e roubar adolescente há 1 mês; greve acabou

Clarissa Thomé e Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2009 | 00h00

Após o flagrante de "chicotadas" de agentes de controle em passageiros na Estação Madureira da SuperVia, o Ministério Público Estadual pediu ontem à Justiça a condenação da concessionária a pagar indenização de R$ 1 milhão, no mínimo, para reparar danos morais e materiais. A agressão de quarta-feira, que resultou em quatro demissões, não foi isolada. O Estado teve acesso a um boletim de ocorrência registrado na 29 ª Delegacia de Polícia (Madureira), há um mês, pela mãe de um adolescente de 17 anos que teria sido espancado por cinco agentes. Ontem, a greve de quatro dias dos ferroviários, que prejudicou diariamente 500 mil pessoas, chegou ao fim.A Promotoria de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte, que distribuiu a Ação Civil Pública à 6ª Vara Empresarial, pediu, em caráter liminar, que a SuperVia impeça os trens de circular com portas abertas. O MPE quer que a empresa dote os trens de sistema para impedir a abertura indevida de portas. A empresa deve respeitar a integridade física e psicológica dos usuários. De acordo com o BO, o jovem M. estava sentado em um banco com dois amigos, em 16 de março. Por volta das 19h40, foram abordados por quatro agentes que acusavam M. de ter roubado um boné. Ele contou que foi levado a uma cabine, onde foi agredido. Um quinto agente chegou e "atingiu a vítima com o próprio chinelo nas solas dos pés". Sua carteira foi roubada.O caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e roubo. Segundo a polícia, a SuperVia não informou o nome dos funcionários. Ontem, por causa do caso das "chicotadas", novo ofício foi enviado. De acordo com a SuperVia, não há registro dos funcionários nos plantões porque eles são terceirizados.Duas novas vítimas de quarta-feira, em que passageiros foram atacados com socos, pontapés e "chicotadas" com o cordão do apito, estiveram ontem na 29ª DP. O desossador Aroldo Pinheiro, de 44 anos, foi atingido por um chute nos testículos e tem dificuldades para andar. "Voltei para casa com muitas dores. Tive febre à noite e procurei o posto de saúde. Agora só quero cuidar da minha saúde." O corretor Edjayme dos Santos Castro, de 38 anos, teve uma costela fraturada. Ele estava de costas para a porta e tentava proteger a mulher, quando foi atingido. "Eu aguentei o chute, mas, se fosse uma pessoa de idade, o pior teria acontecido."DEPOIMENTOSNove agentes, incluindo os demitidos, serão interrogados hoje na Delegacia de Defesa dos Serviços Concedidos (DDSC). "Quero saber que tipo de orientações eles recebem. Ficou claro que não têm preparo nem equilíbrio psicológico", afirmou o delegado Eduardo Freitas. Diretor do Sindicato dos Vigilantes e ex-funcionário da SuperVia, Carlos Morais disse que os agentes são orientados a reagir quando passageiros são agressivos. "A SuperVia fala que, em legítima defesa, podem usar desses expedientes." GREVEA greve acabou ontem após assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias do Rio. De acordo com o presidente da entidade, Walmir Lemos, a SuperVia se comprometeu a melhorar a segurança. A empresa confirmou o acordo. Uma comissão foi formada com integrantes do Ministério Público do Trabalho. No domingo, será realizada assembleia. "Mas não há possibilidade de haver greve", disse Lemos.

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