MP reage à acusação de ''politização''

Promotores de Campinas contestam advogado de Dr. Hélio, para quem investigação de suposta corrupção visa a cassação do prefeito

Fausto Macedo,

01 de junho de 2011 | 12h27

Os promotores de Justiça que investigam suposto esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações da Sanasa, companhia de saneamento de Campinas, reagiram categoricamente ontem às acusações de que estariam atuando com fins políticos para atingir a administração Dr. Hélio (PDT), prefeito da cidade e casado com Rosely Nassim, apontada como chefe de quadrilha. "É inaceitável que tentem nos atribuir atos abusivos e arbitrários", assinala a promotoria.

Os promotores que vasculham setores da gestão Dr. Hélio integram os quadros do núcleo Campinas do Gaeco, braço do Ministério Público que combate crime organizado. São quatro promotores: Amauri Silveira Filho, Adriano Andrade de Souza, Ricardo Gerhardinger Schade e José Claudio Tadeu Baglio. Sua especialidade é rastrear corrupção e improbidade. Seu alvo maior é Rosely. Eles querem prender a primeira-dama.

O advogado Eduardo Carnelós, que defende Rosely e o prefeito, disse que a investigação é ilegal. "Querem obter necessária força política para a cassação do prefeito e coagir o Tribunal de Justiça a não reconhecer direitos diante do clima de comoção. A acusação contra Rosely é indecente, imoral."

A devassa em setores da administração do pedetista levou à prisão 20 empresários, servidores públicos e políticos, entre eles o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT). "Os promotores de Justiça vêm conduzindo a investigação dentro dos ditames constitucionais e legais", assinalam os responsáveis pela apuração. "São absurdas e levianas as constantes colocações que o advogado (Carnelós) vem fazendo através da mídia sobre o trabalho do Ministério Público."

A promotoria reafirma que "jamais investigou, nem pretende investigar, o prefeito de Campinas". Os promotores sabem que prefeito tem prerrogativa de foro perante o Tribunal de Justiça no âmbito criminal. Se o Gaeco Campinas vasculhasse a conduta de Dr. Hélio abriria caminho para a defesa pedir anulação de todo o procedimento até aqui executado.

Nota faturada. Os promotores estão convencidos de que a primeira-dama está no topo de organização criminosa. Rosely receberia de 5% a 7% do valor de cada nota faturada por empreiteiras e fornecedores, segundo denúncia de Castrillon de Aquino, ex-presidente da Sanasa.

Na semana passada, ante comitiva de cinco deputados do PT, o procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, reiterou "irrestrito apoio ao trabalho firme, sereno e imparcial" dos promotores de Campinas".

"Mantendo a posição assumida pelo Ministério Público desde o início da investigação, diferentemente do ilustre advogado, não faremos qualquer consideração sobre os fatos investigados ou sobre o conteúdo dos elementos de prova já produzidos", anotam os promotores.

Eles destacam que a investigação tem o acompanhamento judicial "desde seu nascedouro". "A legalidade da investigação já foi reiteradamente reconhecida pelo Juízo da Comarca de Campinas, pelo Tribunal de Justiça e até pelo Superior Tribunal de Justiça." As prisões, buscas e interceptação telefônica foram autorizadas pelo juiz Nelson Augusto Bernardes, da 3.ª Vara Criminal de Campinas.

Os promotores observam que o próprio TJ "já reconheceu que o prefeito não está sob investigação, em recente decisão sobre reclamação apresentada pelo mesmo advogado". "Apesar de o Ministério Público continuar a realizar seu trabalho de forma correta, idônea e dentro da legalidade, o advogado insiste em lamentáveis ataques gratuitos à instituição."

"Continuaremos a cumprir nossa missão constitucional, dentro da lei e com respaldo do Judiciário, e jamais teceremos qualquer consideração deselegante em relação à defesa dos investigados", ponderam. "Apesar de sermos alvos de constantes ataques à nossa reputação, não revidaremos. Optamos por trabalhar e apresentar os resultados dentro dos estritos limites da legalidade para que a sociedade possa fazer uma leitura imparcial dos fatos."

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PROMOTORES DO GAECO

"São absurdas e levianas as constantes colocações que o advogado Eduardo Carnelós vêm fazendo através da mídia sobre o trabalho do Ministério Público"

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