MP recebe documentos e quer devassa na Lavicen

O Ministério Público de São Paulo acredita que já tem elementos suficientes para pedir uma devassa na vida fiscal e financeira da Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, empresa acusada de servir de fachada para esquemas de desvio de verbas destinadas à construção do Túnel Ayrton Senna, durante a gestão do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Os promotores que investigam o caso receberam ontem os documentos com a transcrição do interrogatório de Lavino Kill, um dos sócios da Lavicen, e o relatório das investigações feitas pelo Ministério Público do Paraná em torno do outro sócio, Joel Gonçalves Pereira. "Os documentos mostram a absoluta inconsistência da empresa", avalia o promotor da Cidadania Luís Sales do Nascimento.O Ministério Público do Paraná descobriu que Pereira está indiciado à revelia depois de tentar aplicar um golpe para receber indevidamente dinheiro de indenização de área alagada para a construção do lago da Itaipu Binacional. Ele forjou procuração em cartório de Altônia (PR), na qual um casal de lavradores da região alagada teria passado para ele o direito de receber a indenização em nome deles. A farsa foi descoberta. Pereira desapareceu, mas foi indiciado. O Setor Técnico do Centro de Apoio Operacional e de Execução (Caex) do Ministério Público está no encalço de Pereira, a pedido dos promotores paulistas.Pereira apresentou endereços falsos em todos os documentos oficiais onde seu nome aparece, como o registro da Lavicen na Junta Comercial do Paraná e fichas para reconhecimento de firmas em cartórios de cidades do interior. Os endereços rastreados pelo Ministério Público não existem. Em um deles, Pereira colocou o nome de sua mãe como se fosse o de uma rua na cidade de Almirante Tamandaré (PR). A rua não existe.O outro sócio da Lavicen, Kill, um sapateiro semi-analfabeto, depôs na terça-feira, dia 9, em Colombo (PR), e sustentou que nunca soube da existência da Lavicen e nem de seu suposto sócio, Pereira. Ele revelou que, há mais de dez anos, perdeu todos os documentos e acredita que eles foram usados para o registro do contrato social da empresa. "Kill não passa de um ´laranja´, que foi apenas usado na história", acredita Sales.O que intriga o Ministério Público é o fato da Lavicen, "uma empresa claramente inconsistente" na avaliação de Sales, ter recebido pelo menos R$ 1,5 milhão durante a construção do túnel.Sales admite que esta cifra é muito modesta. Ela se refere apenas aos valores comprovados em uma única planilha de pagamentos que o Ministério Público conseguiu encontrar. "Ocorre que a construtora CBPO, responsável pelos repasses de verbas à Lavicen, já nos confirmou que realizou pagamentos à empresa durante quase todos os meses de 1994 a 1996", afirma Sales.

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