MP-RJ denuncia Marcinho VP, Elias Maluco e advogados

Segundo órgão, advogados repassavam orientações e ordens aos membros da facção criminosa Comando Vermelho, da qual fazem parte os traficantes

Solange Spigliatti, Central de Notícias

29 Novembro 2010 | 14h37

SÃO PAULO - Marcio Santos Nepomuceno (o Marcinho VP), Elias Pereira da Silva (o Elias Maluco) e seus advogados foram denunciados na última sexta-feira, 26, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por associação com o tráfico de drogas e por colaborarem como informantes dos detidos que planejaram os últimos ataques no Rio.

Veja também:

linkBandidos fugiram pelo esgoto e com uniformes do PAC

linkUPP no Alemão deve ser instalada em seis meses, diz Cabral

linkDilma deve encontrar Cabral na terça-feira

linkSP, MG e ES reforçam policiamento em rodovias na divisa com Rio

linkPerda de espaço motiva ataques do tráfico, dizem analistas

mais imagens Veja fotos da onda de ataques no Rio

video Vídeo - Bope troca tiros no Complexo da Penha

forum Presenciou algum ataque? Conte-nos como foi

Além de Marcinho VP e Elias Maluco, que estão presos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, foram denunciados os advogados Luiz Fernando Costa, Beatriz da Silva Costa de Souza e Flávia Pinheiro Fróes, por associação para o tráfico e por colaborarem como informantes dos detidos. Os três são considerados foragidos.

Segundo o MP, o trio de advogados repassava orientações e ordens aos membros da facção criminosa Comando Vermelho, da qual fazem parte Marcinho VP e Elias Maluco. Segundo a denúncia, os advogados auxiliaram os traficantes presos a se comunicarem com a quadrilha através de bilhetes e recados.

Luiz Fernando, Beatriz e Flávia teriam orientado a prática dos crimes ocorridos no Rio de Janeiro a partir de 20 de novembro e a implantação da logística desses ataques, sugerindo a queima, com material inflamável e explosivo, de veículos públicos e privados e de estabelecimentos comerciais. Os advogados tinham livre acesso às dependências da Penitenciária de Catanduvas e mantinham conversas sigilosas e regulares com os presos.

Os três passaram a ser monitorados pelo Setor de Inteligência do (MP-RJ) e do Sistema Penitenciário do Estado. As duas advogadas, Flávia e Beatriz, foram flagradas, na última quarta-feira, em conversa telefônica autorizada pela Justiça, tratando de informações sobre os ataques. Além de advogado, Luiz Fernando é também presidente da Associação de Moradores da Comunidade Nova Brasília, no Complexo do Alemão, na Penha, área de influência do Comando Vermelho.

A Promotoria requereu ainda a expedição de ofício à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para medidas cabíveis contra os advogados e remeteu ofício à Penitenciária de Catanduvas, requisitando a lista completa de visitantes e advogados cadastrados para contato com os denunciados Elias Maluco e Marcinho VP.

As denúncias, subscritas pela Promotora de Justiça Valéria Videira Costa, foram recebidas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Bangu, assim como os pedidos de prisão preventiva dos envolvidos - já decretados pela Justiça.

Prisões. Neste domingo, 28, 30 pessoas foram presas pela Polícia Militar durante operação no Complexo do Alemão, de acordo com balanço parcial da PM divulgado nesta segunda-feira, 29.

Além das prisões, a PM apreendeu 60 armas, entre elas 27 fuzis, duas metralhadoras .30, uma metralhadora .50, seis submetralhadoras, uma espingarda, uma carabina, 19 pistolas, um revólver e 26 granadas.

A PM também apreendeu mais de 21 toneladas de maconha e outros 12 quilos de cocaína. A droga ainda está sendo contabilizada. Uma pessoa morreu, de acordo com o balanço.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.