MP suspeita de quadrilha entre investigados, diz advogado

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, suspeita que os investigados pela Operação Furacão se associaram em uma quadrilha. O advogado Nélio Machado, que defende 3 dos 25 presos, consultou nesta terça o inquérito e disse que essa é a suspeita do Ministério Público em relação a seus clientes. Depois de reclamarem que estavam impedidos de consultar o inquérito, mais de dez advogados de investigados na Operação Furacão estiveram ontem no STF para analisar os documentos e receber uma cópia digitalizada dos autos. Em geral, eles disseram que seus clientes são inocentes, que as prisões são ilegais e representam uma tentativa de punição antecipada. "Reafirmo que as prisões são desnecessárias e descabidas", afirmou Nélio Machado. "As pessoas têm o direito de se defender em liberdade", disse o advogado, que defende o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª. Região José Ricardo de Siqueira Regueira, Ailton Guimarães Jorge e Júlio Guimarães Sobreira. Após receber as cópias do inquérito, os advogados contaram que tiveram de assinar no STF um termo se comprometendo a não vazar o conteúdo do inquérito. Machado observou que o inquérito tramita no Supremo em sigilo. Mas, segundo ele, a Polícia Federal não está cumprindo esse sigilo. O advogado Raul Ornelas, que defende o casal de policiais federais Susie Pinheiro Dias de Matos e Luiz Paulo Dias de Matos, informou que pediu a revogação da prisão de sua cliente. Segundo ele, Susie foi presa apenas por ser mulher de um investigado. O advogado contou que as perguntas feitas durante o depoimento à policial foram relacionadas somente a amizades pessoais do marido dela. O acesso dos advogados ao inquérito foi concedido na segunda-feira pelo ministro Cezar Peluso, que é o relator do caso no STF. A decisão foi tomada após Peluso ter recebido em seu gabinete a cúpula da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O ministro também garantiu aos defensores o direito de terem conversas pessoais e reservadas com seus clientes. Nos primeiros dias da prisão, eles tiveram de conversar com os presos por meio de um interfone.

Agencia Estado,

17 Abril 2007 | 20h48

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